
A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) anunciou, neste fim de semana, a demissão de 70 funcionários que atuariam na Faixa de Gaza.
A decisão foi formalizada pelo comissário-geral interno da entidade, Christian Saunders, após denúncias de conexões diretas com o grupo terrorista Hamas.
A medida ocorre após pressão internacional e investigação do Escritório do Inspetor-Geral da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). O relatório norte-americano denunciou mais de 100 nomes que envolveram envolvimento direto em massacres terroristas e na estrutura militarizada do Hamas.
Nos posicionamentos anteriores, o governo dos EUA já vinha adotando uma postura de tolerância zero contra a agência. O secretário do Estado americano, Marco Rubio, chegou a classificar a UNRWA publicamente como “uma subsidiária do Hamas”.
Reação da ONU Watch: “Gota no oceano”
A organização não governamental Vigilância da ONUque monitora as atividades das Nações Unidas, elogiou a missão de 70 funcionários, mas classificou a medida como insuficiente.
“Esta ação, embora bem-vinda, é apenas um pequeno começo. É uma gota no oceano. Nossas investigações e o mapeamento da rede de terror da UNRWA indicam que existem pelo menos 1.500 membros e afiliados do Hamas trabalhando para a agência apenas na Faixa de Gaza”, afirmou Hillel Neuer, diretor-executivo da UN Watch.
Neuer também criticou veementemente o Tom adotado pela diretoria da UNRWA, que alegou que as demissões não representavam uma “admissão de culpa”, mas apenas uma medida preventiva de segurança.
UNRWA: de tiros de elite a comandantes em escolas
Uma auditoria realizada pelo governo americano revelou que funcionários financiados pela ajuda internacional da UNRWA foram enraizados em operações civis e militares do grupo terrorista que controla a Faixa de Gaza.
Entre os casos mais graves detalhados no relatório da Usaid, era o de um vice-diretor de escola da ONU que atuava simultaneamente como vice-comandante de companhia das forças especiais do Hamas.
Outro vice-diretor de colégio exerce a função de líder de tripulação. Também foi identificado um professor contratado pela agência da ONU que atuava como atirador de elite especializado (atirador) um serviço do Hamas.
O documento da Usaid também confirmou que diversos outros diretores e professores de escolas geridas pela UNRWA participaram presencialmente e de forma direta das invasões e atentados terroristas em território israelense.
A infiltração ideológica e militar fica suspeita também na ocorrência do próprio Sindicato dos Funcionários da UNRWA na região.
O sindicato, historicamente controlado pelas operações do Hamas rejeitou as demissões, classificou o ato como “arbitrário” e prometeu trabalhar para readmitir os demitidos.
Ministério de Israel denuncia “cobertura cínica” da ONU
O Ministério das Relações Exteriores de Israel rebateu as justificativas da agência da ONU.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) alegam que já tinham apresentado relatórios de inteligência apontando que, dos 12.521 funcionários que a UNRWA possui na Faixa de Gaza, pelo menos 1.462 (cerca de 12% do total) tinham vínculos formais de filiação com o Hamas ou com outras organizações jihadistas aliadas.
O governo israelense acusou a liderança das Nações Unidas de emitir uma nota cínica que evita deliberadamente usar a palavra “Hamas” para tentar cegar o regime. “Ao abrigar terroristas e permitir que suas instalações sirvam como quartéis-gerais do Hamas, a UNRWA se transformou oficialmente em um braço operacional do grupo terrorista”, diz a nota.
Em sua defesa, a agência argumentou que não possui capacidade policial ou de inteligência própria e alegou que dialogar com o grupo criminoso é uma “necessidade operacional” para a distribuição de ajuda humanitária nas zonas de conflito.

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