Após a morte de Ali Khamenei, sem carga desde 1989, o Irã iniciou a sucessão no comando do regime. De acordo com a agência de notícias espanhola EFE, especialistas apontam quatro nomes como favoritos ao cargo. Um deles é o neto do fundador da República Islâmica e outro o filho de Khamenei.
Na manhã deste domingo (1º), o aiatolá Alireza Arafi assumiu como membro jurista do Conselho de Liderança do Irã. O conselho reúne o presidente da República, Masoud Pezeshkian, e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei. O colegiado passa a chefiar o país de formação interna até a escolha do novo líder supremo.
“O Conselho de Discernimento do Interesse do Estado elegeu o aiatolá Alireza Arafi como membro do conselho interino de liderança”, afirmou Mohsen Dehnavi, o porta-voz do conselho, em uma publicação na rede X.
O Irã segue um regime teocrático, em que o poder político é exercido por líderes religiosos. A população não elege diretamente a autoridade principal do país. A Constituição atribuiu essa função à Assembleia dos Peritos, composta exclusivamente por 88 clérigos islâmicos para mandato de oito anos e escolhida por voto popular registrado em cédulas de papel.
A Assembleia dos Peritos assume três atribuições centrais. Ela elege, supervisiona e pode destituir o líder supremo. Os clérigos analisam internamente os nomes considerados aptos, conforme critérios religiosos e políticos previstos na Constituição. A última formação da Assembleia dos Peritos foi eleita em 2024.
Líder supremo é cargo vitalício e o de presidente tem mandato de quatro anos
O líder supremo assume o mandato vitalício, mas se a Assembleia avalia os níveis de desempenho, os membros podem votar pela remoção. Depois da escolha, o líder supremo concentra o poder direto e indireto sobre o Estado. Ele define como diretrizes da política externa e da política interna. O artigo 110 da Constituição confere-lhe a prerrogativa de declarar guerra ou paz e de mobilizar as Forças Armadas.
A carga também garante amplo poder de nomeação. O líder supremo escolhe os chefes do Judiciário, os dirigentes da mídia estatal e os representantes dos órgãos estratégicos. Ele supervisiona os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
A Constituição ainda autoriza a demissão do presidente, que é eleito pelo povo para um mandato de quatro anos, podendo tentar uma reeleição. O foco do trabalho do presidente está na economia do país.
Quais os nomes mais apontados para a carga do líder supremo no Irã
Entre os nomes citados para a sucessão, Alireza Arafi aparece como figura central. Ele integra o comitê provisório de liderança e surge como possíveis herdeiros da carga. Os veículos iranianos descrevem Arafi como um quadro que combina autoridade religiosa e peso político, traço típico da estrutura de poder do país.
Outro nome recorrente é Mohammad Mehdi Mirbagericom cerca de 60 anos. Clérigo ultraconservador, ele sustenta discurso hostil ao Ocidente. Mirbageri dirige a Academia das Ciências Islâmicas na cidade sagrada de Qom, um dos principais centros religiosos do Irã.
Também circula o nome de Hassan Khomeinide 53 anos, neto do fundador da República Islâmica. Ele administra o Mausoléu de Khomeini, nos arredores de Teerã, e nunca ocupou cargas centrais no Estado. Aliados ou classificados como moderados. Khomeini apoia políticos dessa corrente e defende uma abertura controlada do país. Nas semanas que antecederam a guerra, ele marcou presença em diversos atos públicos.
Por fim, Mojtaba Khameneide 56 anos, filho do líder falecido, aparece há anos como potencial sucessor. Fontes atribuem a ele forte influência política e proximidade com setores das Forças Armadas, como a Guarda Revolucionária. A possibilidade de uma sucessão hereditária, porém, gera resistência interna e pesar contra sua candidatura.
Com informações da EFE.

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