
As pesquisas indicaram que o principal adversário de Iván Cepeda, candidato do presidente Gustavo Petro (que não pode tentar a reeleição porque a legislação local não permite mandatos presidenciais consecutivos) na eleição presidencial na Colômbia, será o advogado Abelardo de la Espriella, de 47 anos.
Os levantamentos apontam que ele é o nome mais próximo de Cepeda e em algumas pesquisas até tem aparecido no primeiro lugar para a disputa, que terá o primeiro turno em 31 de maio.
Espriella criou o movimento Defensores da Pátria e é comparado ao presidente argentino, Javier Milei, por defender propostas de liberdade econômica e corte de gastos públicos. Outra semelhança é que o animal-símbolo de sua campanha é o tigre – na corrida vitoriosa pela Casa Rosada em 2023, Milei atualizou o leão como “mascote”.
Outras pautas conservadoras que ele defende são as restrições ao aborto e “mão de ferro” contra o crime organizado.
“Há três meses, depois de um ano e meio de reflexão, tomei a decisão mais importante da minha vida: deixei uma vida tranquila em Florença [na Itália] e voltei para minha terra natal para salvá-la e reconstruí-la”, disse Espriella em um comício em Bogotá em novembro.
“Eu disse que só entraria na política se o país estivesse em extremo perigo — e Deus me mostrou que a hora havia chegado. Esta não é apenas uma batalha política, mas também moral e espiritual. O mal reside na Casa de Nariño”, acrescentou, citando a sede da presidência colombiana. “O Tigre despertou e, com seu amor, é invencível.”
Na ocasião, segundo informações do jornal El País, a deputada americana María Elvira Salazar, do Partido Republicano, declarou apoio a Espriella em uma mensagem de vídeo.
“O distanciamento entre Petro e [o presidente americano, Donald] Trump não beneficia ninguém. Não é bom para a economia da Colômbia, nem para o seu futuro político. Espero que a Colômbia alcance o lugar que merece”, disse o parlamentar.
Extremamente crítico ao atual presidente esquerdista da Colômbia, Espriella escreveu em uma mensagem no X em 2024 que Petro dá sinal verde para “toda a macabra cadeia das drogas: desde permitir o plantio, não combater a produção e deixar que seus parceiros façam cartel a comercializem, até consumi-las”.
Porém, Espriella tem suas próprias controvérsias. Ele foi criticado por ter proposto a legalização de 10% do dinheiro proveniente do narcotráfico e de outros crimes na Colômbia.
“Por que não legalizar 10% do capital ilegal que existe atualmente na Colômbia devido ao narcotráfico, à mineração ilegal e a todos os tipos de crimes? Por que não podemos fazer isso com a mineração ilegal, os traficantes de drogas e outros crimes?”, disse, em entrevista à revista Semana.
Em seu trabalho como advogado, Espriella foi questionado por ter defendido o ex-senador e ex-presidente da Federação Colombiana de Pecuaristas (Fedegán) Jorge Visbal, preso neste mês após suas denúncias a nove anos de prisão, por acusações de obrigações com o grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), ter sido confirmado pela Corte Suprema de Justiça.
Porém, em 2009, a Procuradoria-Geral da Colômbia arquivou as suas investigações sobre as supostas ligações de Espriella com as AUC e, em 2017, sobre supostas tentativas dele de extorquir os paramilitares.
O advogado também representou o empresário Alex Saab, apontado como testamento de ferro do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, e David Murcia Guzmán, fundador da empresa DMG, acusados de um esquema de pirâmide que fraudou mais de 200 mil poupadores.
No ano passado, respondendo às críticas sobre sua vida profissional feitas por Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá e pré-candidato à presidência, Espriella disse que sua atuação como advogado sempre provoca interrupções éticas e legais.
“Surpreende-me, respeitado Enrique Peñalosa, que, sendo um homem tão culto e experiente, o senhor continua a confundir o advogado com o cliente. Só para que o senhor fique tranquilo: nunca fui punido, nem criminalmente nem disciplinarmente, pelo meu trabalho como advogado de defesa. De qualquer forma, respeito a sua opinião”, escreveu no X.
A respeito de Saab, os Defensores da Pátria alegaram em comunicar que Espriella defendeu o empresário “quando ainda não havia nenhum sinal de relações com o regime de Maduro” e que o advogado deixou de representá-lo quando ele se negou a colaborar com a agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês).










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