
O ditador da Rússia, Vladimir Putin, admitiu neste domingo (28) que o país enfrentará “problemas” após a intensificação dos ataques ucranianos contra refinarias e outras estruturas energéticas russas. A fala ocorre em meio a uma crise de abastecimento de combustíveis no país, com filas em postos, racionamento em várias regiões e pressão crescente sobre a infraestrutura usada por Moscou para sustentar a guerra contra a Ucrânia.
Putin revelou em entrevista à televisão estatal russa que os ataques ucranianos à infraestrutura energética russa estão afetando o fornecimento interno de combustíveis.
“É claro que eles criam problemas, isso é óbvio”, disse o líder russo. Ele afirmou ainda que o país observa “uma certa escassez”, mas tentou minimizar a situação ao dizer que ela “não é crítica”.
A admissão pública foi incomum porque o Kremlin costuma evitar considerar os impactos diretos dos ataques ucranianos sobre a população russa. Em uma recente reunião com autoridades e executivos do setor de petróleo, Putin também afirmou que motoristas e empresas enfrentam dificuldades, incluindo filas em posições e problemas para encontrar determinados tipos de gasolina.
Os fortes ataques de drones da Ucrânia já foram reduzidos em cerca de um quarto a capacidade de refino de petróleo da Rússia, provocando um déficit estimado de 15% no mercado doméstico de combustíveis, segundo informou o jornal britânico O Guardião. Dados de fonte aberta pesquisados pelo jornal Tempo de Moscou Apontam que ao menos 56 regiões russas, incluindo Moscou, enfrentaram algum tipo de racionamento de combustível na semana passada.
A situação é considerada mais grave na Crimeia, península ucraniana anexada ilegalmente pela Rússia em 2014. Segundo a emissora BBCautoridades locais restringiram o abastecimento de veículos para priorizar militares, enquanto Putin permitiu que restava apenas “alguns dias” de fornecimento na região, embora tenha prometido normalizar a entrega de combustíveis.
Putin disse que Moscou pretende aliviar a escassez com o aumento das remessas de combustível, melhorar os reparos nas refinarias obtidas e reforçar as defesas aéreas contra drones ucranianos. O líder russo também afirmou que o regime avalia medidas para reduzir os efeitos dos ataques sobre alvos civis e infraestrutura.
A Ucrânia tem intensificado ataques de longo alcance contra refinarias e instalações estratégicas na Rússia. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou neste domingo que as forças de Kiev atingiram duas refinarias russas, uma na região de Krasnodar e outra na região de Yaroslavl, a centenas de quilômetros da fronteira ucraniana.
Zelensky tem defendido que uma campanha contra a infraestrutura russa busca reduzir os recursos usados por Moscou na guerra. O presidente ucraniano afirmou que cada ataque de longo alcance contra alvos russos representa uma redução dos recursos que alimentam a “máquina de guerra” do Kremlin.
Em discurso no congresso do partido do regime, o Rússia Unida, Putin disse que o Kremlin está ciente dos problemas gerados pelos ucranianos e prometeu garantir a segurança dos cidadãos cidadãos e a “inviolabilidade” das fronteiras do país.
O líder russo classificou os ataques ucranianos como “terroristas” e afirmou que a Rússia vai superar os desafios atuais.












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