
Jonathan David Muir Burgos, um cidadão de apenas 16 anos, é suspenso sob custódia pelo regime de Cuba desde março, acusado sem provas de participar de protestos contra o modelo autoritário da ilha.
A prisão do adolescente, cujo pai liderou uma igreja cristã independente em Cuba, expõe uma realidade dura experimentada por cristãos no paíssem distinção de idade.
Burgos está sendo processado por sabotagem e poderá enfrentar acusações adicionais por parte da promotoria militar, segundo disse um investigador policial à família. UMA ONG Cubalexque acompanha casos de presos políticos na ilha, denuncia uma série de evidências de direitos relacionadas à proteção de menores de idade na Justiça.
As autoridades levaram o adolescente para a prisão de Canaleta, sem o conhecimento de seus pais – algo que é garantido ao investigado pela lei cubana. Posteriormente, o devolveram ao Departamento de Investigação Técnica em Ciego de Ávila devido à falta de condições para a sua permanência no local, o que é visto como um ato de intimidação e pressão psicológica.
O caso contra Jonathan Burgos não é isolado. Segundo a organização de direitos humanos Christian Solidarity Worldwide (CSW, na sigla em inglês), com sede no Reino Unido, sua família sofre perseguição religiosa há mais de uma década. As ações do regime incluem detenções arbitrárias, atos de vandalismo, restrições ao funcionamento da igreja Tempo de Cosechauma congregação independente fora do sistema religioso reconhecido pelo Estado, e vigilância constante.
Assim como faz o regime chinês, Cuba mantém um sistema de vigilância da atividade religiosa. As compras precisam obter aprovação governamental para operar e pode ser alvo de advertências e restrições por parte das autoridades a qualquer momento.
Um relatório de 2023 da ONG Defensores dos Prisioneiros aponta que a família foi ocorrência pela Segurança do Estado cubano como “ideologicamente perigosa” devido aos seus cristãos. Essa pressão da ditadura levou a igreja a perder peças de membros ao longo dos últimos anos, por medo de represálias.
Além de Jonathan e seu pai, o pastor Elier Muir Ávila, organizações de direitos humanos denunciaram a prisão de outro ministro religioso por pregar publicamente em Cuba.
Ronaldo Pérez Lora foi preso pelas autoridades em Matanzas após transmitir mensagens bíblicas ao vivo em seu canal no YouTube. Ele incentivou os cristãos a orarem pacificamente pelo país em meio à crise generalizada.
Regime mascara perseguição religiosa com acusações por outros crimes, aponta especialista
Marco Cruz, secretário-geral das Portas Abertas Brasil e América Latina, explica à Gazeta do Povo que o regime cubano evita prisões explícitas por motivos religiosos e enquadramentos cristãos e líderes eclesiásticos em acusações alternativas.
“As justificativas mais comuns envolvem relatos de desobediência civil, atividades políticas não autorizadas, incitação à desordem ou violação de normas administrativas. O objetivo é manter uma aparência de legalidade, evitando repercussão internacional mais intensa”, afirma.
Em Cuba, a perseguição religiosa é essencialmente estatal, ideológica e sistemática, ainda que nem sempre aplicada de forma explícita nas leis. “O regime se define como oficialmente laico desde a Constituição de 1992, mas, na prática, continua operando sob uma lógica herdada do comunismo marxista, que vê qualquer forma de organização independente, inclusive a religiosa, como uma ameaça ao controle do Estado”, ressalta Cruz.
Do ponto de vista legala ditadura cubana utiliza dispositivos amplos e vagos, como leis sobre ordem pública, segurança nacional e uso do espaço urbano, para fundamentação de ações contra cristãos. De acordo com o líder das Portas Abertas, as igrejas domésticas podem ser fechadas sob a alegação de irregularidades administrativas, os cultos são interrompidos por falta de licença e as obras sociais cristãs são limitadas se não forem sob supervisão estatal.
Diferentemente da China, onde a perseguição é altamente tecnológica, burocratizada e institucionalizada – com sistemas de reconhecimento facial, créditos sociais e uma estrutura nacional de controle das religiões –, em Cuba, o modelo é menos tecnológico, mais pessoal e arbitrário por ser baseado em vigilância humana, informantes, pressão psicológica e intimidação direta.
“É um controle mais artesanal, porém igualmente eficaz. Em ambos os casos, o problema central é o mesmo: o Estado se coloca como instância máxima de lealdade. Quando a fé cristã afirma que existe uma autoridade acima do governo, isso é visto como inadmissível por regimes totalitários”, afirma Cruz.
Desde os grandes protestos de julho de 2021, o regime aumentou significativamente a perseguição aos cristãos na ilha. Alguns dos métodos mais comuns para reprimir ou intimidar religiosos são detenções arbitrárias, proibição de sair do país ou se deslocar dentro dele, demissões de empregos estatais, discriminação em escolas, multas ou fechamento compulsório de igrejas.
Cuba subiu duas posições na Lista Mundial de Perseguição das Portas Abertas de 2026. O país passou da 26ª posição para a 24ª, o que evidencia esse aumento da perseguição religiosa.













Deixe o Seu Comentário