O dólar teve alta sobre o sol peruano e a Bolsa de Valores de Lima (BVL) registrou uma queda de 4,16% nesta quarta-feira (15), antes da possibilidade do candidato de esquerda Roberto Sánchez chegar ao segundo turno da eleição presidencial no Peru.
Segundo informações da agência EFE, os preços de quase todas as ações do Índice Geral da BVL foram quedas até a metade da sessão da bolsa, com algumas perdas acentuadas, como a da mineradora Atacocha, com queda de 11,76%, e a da Intercorp Financial Services, com queda de 10,44%.
Em relação ao dólar, o preço da moeda americana retomou ontem sua rápida tendência de alta, após a queda de segunda-feira (13), dia em que os candidatos cotados para o segundo turno, marcado para 7 de junho, eram os conservadores Keiko Fujimori e Rafael López Aliaga, segundo pesquisas boca de urna e apuração parcial.
O dólar foi negociado ontem a 3,45 sóis nas casas de câmbio, em comparação com os 3,39 sóis da véspera, segundo o Banco Central de Reserva do Peru (BCRP).
Nos últimos 12 meses, o dólar se desvalorizou 9,28% no mercado cambial peruano, segundo o banco central. No entanto, o órgão interveio nesta semana com 200 milhões de sóis (US$ 58 milhões) para evitar uma forte alta da taxa de câmbio nas horas seguintes.
Até a noite de terça-feira (14), López Aliaga, ex-prefeito de Lima, aparecia na apuração da eleição presidencial como segundo colocado para disputar o segundo turno contra Keiko Fujimori, mas na manhã de quarta-feira foi ultrapassado pelo esquerdista Roberto Sánchez, ex-ministro do ex-presidente Pedro Castillo (2021-2022).
Castillo foi destituído pelo Parlamento, preso e condenado pela Justiça a 11 anos, cinco meses e 15 dias de prisão por ter tentado um golpe de Estado em dezembro de 2022.
Com quase 92,9% dos votos apurados, Fujimori tem 17,1% dos votos e Sánchez ostenta 12%, contra 11,9% de López Aliaga – a diferença entre o segundo e o terceiro colocado é de apenas 23 mil votos no momento.
López Aliaga alegou fraude devido a falhas no primeiro turno da eleição presidencial que fez a votação, realizada no domingo (12), sendo prorrogada até o dia seguinte.
José Samamé Blas, gerente de gestão eleitoral do Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (Onpe, na sigla em espanhol), foi preso na segunda-feira, após ter reforçado a responsabilidade pelos atrasos na entrega de material eleitoral (que deixaram mais de 63 mil reuniões sem voto no domingo) e apresentou sua renúncia ao diretor da Onpe, Piero Corvetto.
Também na segunda-feira, o procurador da Junta Nacional Eleitoral (JNE), Ronald Angulo, apresentou queixa-crime contra Corvetto pelas falhas logísticas registradas no domingo.
Também foram denunciados Juan Alvarado Pfuyo, representante legal da empresa terceirizada Galaga SAC, envolvido no processo eleitoral, e três funcionários da Onpe, entre eles, Samamé.
Em um ato em frente à sede do JNE na noite de terça-feira, López Aliaga pediu que a procuradoria-geral do Peru e a polícia “prendam imediatamente” Corvetto e que as eleições fossem anuladas.
“Nem mesmo na Venezuela, sob a ditadura de [Nicolás] Maduro, se viu tamanha sujeira”, afirmou, alegando que tal “máfia quer inflar” outro candidato “para colocá-lo [no segundo turno] ao lado da senhora de sempre”, em referência a Keiko Fujimori, que concorreu à presidência pela quarta vez, após ser derrotada em 2011, 2016 e 2021.

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