O presidente americano Donald Trump incluiu em sua proposta de orçamento para 2027 um plano para reabrir a prisão emprestada de Alcatraz. Desativada desde 1963, uma ilha na Baía de São Francisco pode mudar uma instalação de segurança máxima de última geração — graças a um projeto orçado em cerca de US$ 2 bilhões.
A intenção de Trump é que “A Rocha”, como o local também é conhecido, abre os infratores “mais cruéis e violentos” dos EUA. “A América tem sido infestada pela escória da sociedade, pessoas que nunca contribuíram com nada além de miséria e sofrimento”, afirmou o presidente.
A proposta é uma resposta direta à frustração de Donald Trump com o que ele chama de “juízes radicalizados” — magistrados que, segundo o presidente, dificultam a aplicação rigorosa da lei e a remoção de criminosos. Ao reativar Alcatraz, o governo pretende enviar uma mensagem clara de tolerância zero à reincidência e ao crime violento.
O projeto ainda carrega um forte peso simbólico, alinhado ao discurso de “Lei e Ordem” que marca a trajetória política de Trump. No passado, disse o presidente, os EUA tinham disposição para isolar os elementos mais perigosos da sociedade — e a reabertura de Alcatraz será o símbolo da volta desse compromisso à Casa Branca.
“Desperdício de dinheiro”
Para o primeiro ano de supervisão, o governo solicitou ao Congresso o aporte de US$ 152 milhões. Mas o custo final para tornar o complexo funcional pode ser muito superior.
Segundo especialistas e funcionários da própria administração trumpista, uma nova prisão teria de ser construída praticamente do zero, o que elevaria o custo total da empreitada para a casa em US$ 2 bilhões.
O plano de enfrentamento é forte oposição, especialmente de setores democráticos. A ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, classificou a ideia como “absurda” e um “desperdício de dinheiro do contribuinte”.
A verdade é que a operação da ilha sempre foi cara. Na época de seu fechamento, manter um detento em Alcatraz custava três vezes mais do que em qualquer outra prisão federal no continente — e o custo com logística marítima ainda hoje seria um obstáculo.
Para completar, a área é um parque nacional desde 1972, e transferi-la para o Departamento de Prisões conforme exigência do Congresso. Isso significa que Trump tem mais uma dura batalha legislativa pela frente.
Uma “fuga impossível”
Alcatraz ficou conhecida como a prisão do qual “ninguém escaparia”, devido às águas geladas e fortes correntes da baía. Durante décadas, o local abrigou gângsteres notórios como Al Capone e George “Machine Gun” Kelly.
A fama mundial do presídio foi consolidada pela misteriosa fuga de 11 de junho de 1962. Na ocasião, Frank Morris e os irmãos John e Clarence Anglin usaram colheres para cavar túneis nas celas e realizaram cabeças falsas (de papel machê e cabelo real) para enganar os guardas durante a noite.
Eles deixaram a ilha em uma balsa improvisada feita de capas de chuva coladas. E, embora o FBI tenha concluído que o trio provavelmente se afogou, os corpos nunca foram encontrados.
Essa história contou com o filme clássico Fuga de Alcatraz (1979), também conhecido no Brasil como Alcatraz: Fuga Impossível — dirigido por Don Siegel e estrelado por Clint Eastwood, que interpretou Morris.
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