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Ó presidente dos Estados Unidos, Donald Trumpcriticou nesta sexta-feira (20) a recusa de aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em apoiar a operação militar contra o Irã. Os países-membros têm envolvimento militar, alegando que o conflito não ativa os mecanismos de defesa da aliança. No entanto, estão sendo cada vez mais pressionados a agir.
“Sem os EUA, a Otan é um tigre de papel”escreveu o republicano em sua rede social. Para Trump, os países da organização, além de não quererem entrar na luta para “impedir um Irã com capacidade nuclear”, não querem ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, principal rota do petróleo no Oriente Médio, bloqueada pelo Irã desde os primeiros dias da guerra.
O presidente americano ainda disse que uma manobra militar para reabertura do Estreito seria simples e que resolveria a disparada do preço do petróleo – desencadeada pela guerra na região. “É tão fácil para eles fazerem isso, com um pouco de risco. COVARDES, e nós VAMOS LEMBRAR!”, afirmou.
Na terça-feira (17), Trump já havia reclamado da postura de Otan, depois que os membros europeus da organização rejeitaram integrar uma coalizão de Trump para impedir o Irã de bloquear o Estreito de Ormuz. Governos como os da Alemanha, França e Reino Unido disseram que não pretendem participar com força militar ofensiva na guerra no Oriente Médio.
Apesar da recusa em aderir à guerra, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta quarta-feira (18) que os países da aliança estão discutindo neste momento “a melhor maneira” de reabrir o Estreito de Ormuz. Segundo ele, há consenso entre os membros da aliança de que a rota precisa ser restabelecida, e os aliados trabalham “coletivamente” para encontrar uma solução.
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (19), os governos do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Canadá – que integram a Otan – e o Japão, parceiro estratégico da aliança e aliança próximo dos EUA, condenaram “nos termos mais firmes” os ataques do Irã contra embarques comerciais no Golfo e o “fechamento de fato” do Estreito de Ormuz por forças do regime islâmico.
Os governos declararam estar “prontos para contribuir com esforços protetores para garantir a passagem segura pelo Estreito”, no entanto, o comunicado não esclarece se essa contribuição envolveu a presença militar. Também não foi anunciada qualquer ação ofensiva direta nem compromisso formal de envio de forças para o Ormuz.
Para Adriano Gianturco, coordenador do curso de Relações Internacionais do Ibmec de Belo Horizonte e colunista da Gazeta do Povoos principais membros da Otan, especialmente os países europeus, não consideram que a guerra contra o Irão se enquadre, neste momento, como um caso de defesa colectiva. Por isso, não veem base jurídica para acionar formalmente a aliança. Por ser uma aliança de natureza defensiva, Otan só é formalmente acionado quando há ataque direto contra um de seus membros.
O analista ressalta que, para além disso, há um planejamento estratégico em curso dentro da Otan. Para os europeus, uma entrada direta na guerra poderia ampliar riscos e custos políticos, militares e econômicos. “Os países estão avaliando que seria mais arriscado, menos vantajoso em termos de custo-benefício, uma eventual intervenção do que a não intervenção”, afirmou.
Uma sinalização de que não entraram no conflito foi observada após o Chipre, país da União Europeia, ter sido alvo de incursões de drones iranianos. Dias depois, a Turquia, país-membro da Otan, também teve o seu espaço aéreo violado no contexto da escalada regional, mas, ainda assim, os membros da aliança optaram por não transformar o episódio em justificativa para uma entrada coletiva na guerra.
O estrategista internacional Cezar Roedel afirma que os aliados europeus de Otan evitam entrar no conflito no Estreito de Ormuz porque avaliam que uma intervenção pode se transformar em uma guerra marítima longa, difícil de controlar e de alto custo econômico e militar. Segundo Roedel, também pesa na decisão dos aliados europeus o facto de o presidente Trump não ter consultado anteriormente os membros da Otan sobre a operação contra o Irão.
Otan já foi acionado pelos EUA em conflitos anteriores
Embora hoje parte dos aliados europeus de Otan resistam a entrar na guerra contra o Irã, eles já foram mobilizados em defesa direta dos Estados Unidos em um episódio histórico.
Após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, quando aviões sequestrados atingiram as Torres Gêmeas, em Nova York, e o Pentágono, em Washington, a Otan acionou pela primeira vez em sua história o Artigo 5 do tratado – a cláusula de defesa coletiva que estabelece que um ataque contra um membro é considerado um ataque contra todos.
A decisão foi tomada momentos após os atendidos. Com isso, os aliados consideraram oficialmente que os Estados Unidos tinham sido alvo de agressão externa e se comprometeram a atuar em conjunto.
A medida abriu caminho para a participação de Otan na guerra do Afeganistão, marcando também a primeira operação militar de aliança fora da área tradicional euro-atlântica. Países europeus e o Canadá enviaram tropas para apoiar uma ofensiva contra a Al-Qaeda e o regime do Talibã.
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