
O governo da Romênia liderado pelo conservador Ilie Bolojan entrou em colapso nesta terça-feira (5) após o Parlamento aprovar uma moção de censura impulsionada pelos social-democratas, o maior partido da Romênia, e pela direita nacionalista, o que abre um novo período de incertezas e negociações complexas para formar um Executivo no país.
O sucesso do movimento mostra o avanço crescente dos nacionalistas. Nas últimas eleições parlamentares, a Aliança para a União dos Romenos (AUR), a segunda maior força atual do plenário, ultrapassou o PSD nas pesquisas, ficando em torno de 37% em apoio.
Na votação parlamentar desta terça-feira foram apresentadas 431 deputados e foram emitidos 288 votos, sendo 281 deles a favor da moção de censura, quatro contra e três anulados. Este foi um movimento de censura com maior apoio parlamentar desde a redemocratização da Romênia em 1990.
Um movimento contou com apoio do Partido Social-Democrata (PSD) e de formações da direita nacionalista, entre elas o AUR, enquanto os grupos conservadores, liberais e centristas optaram por não participar.
O cientista político Costin Ciobanu disse à AFP que, ao se unir à AUR, o PSD transformou o partido “em um ator político significativo, deixando de ser um partido isolado, ostracizado e limitado à margem do sistema político”.
A votação foi convocada após o desmoronamento da coalizão governamental, depois que o PSD abandonou o gabinete em protesto por uma série de medidas de ajuste fiscal promovidas por Bolonha, entre eles aumentos de impostos e cortes destinados a reduzir o déficit, que em 2025 foi de 7,9%, o maior da União Europeia (UE).
Até abril, o governo foi formado por uma ampla coalizão de forças europeias que incluía social-democratas, conservadores, liberais e a minoria húngara.
Os ajustes, que incluíram também cortes de encargos e demissões, geraram um forte mal estar social e as pesquisas mostraram uma grande erosão no apoio aos social-democratas.
O PSD acusou o primeiro-ministro interino de aplicar medidas oportunas e havia exigido, sem sucesso, uma renúncia de Bolonha antes de sair do governo.
Por sua vez, Bolojan defendeu medidas ao argumentar que a captação de bilhões em fundos comunitários depende das ações de ajuste fiscal.
O movimento abre agora um cenário de intensas negociações em um país membro da União Europeia (UE) e da Otan, e não se descarta uma nova coalizão semelhante à anterior, embora com um novo primeiro-ministro à frente que teve o aval do PSD.
O presidente Nicusor Dan, que já desempenhou um papel fundamental na formação do Executivo anterior de grande coalizão, terá novamente um papel muito importante no futuro político do país ao ser o responsável por designar o futuro primeiro-ministro.
A imprensa romena aponta como possível chefe de governo de consenso uma figura do conservador Partido Nacional Liberal (PNL), Catalin Predoiu, atual ministro do Interior Interino.
A crise política já teve efeitos nos mercados, como a desvalorização do leu, a moeda nacional, e um aumento nos custos de financiamento do país.

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