
Pastora viraliza com discurso sobre violência doméstica Um discurso feito durante um dos maiores congressos evangélicos do Brasil ganhou grande repercussão nas redes sociais nos últimos dias ao abordar, de forma direta, temas como violência doméstica, abuso sexual e pedofilia dentro da igreja. A fala, parte da pregação da pastora Helena Raquel, critica o silêncio institucional e a omissão sobre líderes religiosos e membros de igrejas que cometem esses crimes. LEIA MAIS: ‘Quem agride, mata’: pastora orienta mulheres a buscar delegacia em vez de orar por agressor em grande evento evangélico do Brasil “Pedófilo não é ungido. Pedófilo é criminoso. Não existe capacidade de se encontrar na mesma figura um pastor e um abusador. Ou é pastor, ou é abusador”, afirmou. Um dos trechos da pregação compartilhados nas redes atingiu 11 milhões de visualizações no Instagram até terça‑feira (5). No recorte, a pastora se dirige especialmente a mulheres cristãs que sofrem violência em relacionamentos abusivos: “Pare de orar por ele hoje e comece a orar por você. Você precisa ter coragem para sair, denunciar e buscar um lugar seguro. E não acredite em pedidos de desculpa, porque quem agride mata.” As falas de Helena Raquel foram compartilhadas por diversas personalidades, entre elas a apresentadora Xuxa Meneghel, além de artistas e influenciadores que enfatizaram a importância do assunto. Pastora diz para mulheres denunciarem agressores em evento evangélico em SC Redes sociais/ Reprodução Quem é Helena Raquel Com 34 anos de ministério, Helena Raquel soma atualmente 1,6 milhão de seguidores no Instagram. Ela é líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV) no Rio. No sermão, ela utilizou o relato de Juízes 19, um dos textos mais violentos da Bíblia, para traçar paralelos com a realidade contemporânea e alertar sobre a responsabilidade coletiva diante do sofrimento humano. ‘Corporativismo religioso’ Ao longo da mensagem, a pastora criticou duramente o que chamou de “corporativismo religioso”, defendendo que a fé deve caminhar lado a lado com responsabilidade social e ética: “Se alguém ainda tem dúvidas, eu não tenho — e já peço perdão, porque há alguns aqui, ou mesmo no nosso arraial, que são ímpios infiltrados, vestidos de crentes. Não podemos passar essa vergonha nacional com um corporativismo razoável.” Ela também cometeu crimes de pedofilia ocorridos na Igreja Católica e criticou a prática de simplesmente transferir líderes acusados para outras comunidades religiosas: “Não troque um criminoso de paróquia. Não mande esse presente embrulhado para outra igreja. Quem agride esposa, filhos ou é pedófilo precisa responder à Justiça.” Durante a ministração, Helena Raquel citou também explicitamente canais oficiais de denúncia, falando diretamente tanto com vítimas adultas quanto com crianças. Ela também pediu que ofertas criem redes de acolhimento, com treinamento de voluntários e apoio psicológico — mesmo em comunidades com poucos recursos — para evitar que as vítimas continuem sendo silenciadas. A pregação ocorreu durante o 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora, realizado em Camboriú (SC). O evento reúne milhares de cristãos presenciais e alcança milhões por meio de transferência on-line, sendo considerado um dos encontros mais influentes do meio evangélico brasileiro. Repercussão No YouTube, o vídeo oficial e completo da ministração — com cerca de 1h20 de duração — soma aproximadamente 810 mil visualizações apenas dois dias após a publicação, além de mais de 5 mil comentários. Muitos são relatos de mulheres que afirmam ter vividas situações de violência, abuso e falta de acolhimento em ambientes religiosos. “É assustador pensar que isso preciso ser dito, mas é necessário”, escreveu uma usuária. “Ela está fazendo o que muita gente se cala por medo”, comentou outra.
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