
O que é avaliado, afinal, categoria de melhor seleção do elenco do Oscar? Além de ser a edição mais brasileira da história, com cinco restrições para um filme ou um artista nacional, o Oscar 2026 também tem como destaque a estreia de sua primeira categoria nova em 24 anos. Ao contrário do que aconteceu em 2002, que apresentou a simplicidade de uma melhor animação, neste domingo (15) a Academia de Cinema americana escolhe também a melhor seleção de elenco – que não é uma avaliação dos elencos em si, ou das atuações dos conjuntos. Por causa dessa confusão (compreensível), o g1 encontrou uma das pessoas mais indicadas do mundo para esclarecer as coisas. Afinal, quem melhor fazer que um dos próprios indicados para explicar? “No caso de ‘O agente secreto’, para mim, é uma comprovação, um reconhecimento do todo da escalada. Da precisão da escalada”, afirma Gabriel Domingues, diretor de elenco do filme estrelado por Wagner Moura. “Como a escolha do elenco foi original, autêntica e eloquente. Foi algo que fez o filme ganhar em termos de narrativa, dramaturgia e cinematografia. Acho que esses são os critérios.” Se não ficou totalmente claro, não se preocupe. Você não está sozinho. Os membros próprios da Academia têm suas dificuldades. Tanto que a produção da premiação promete apresentar uma categoria em diversos segmentos ao longo do evento. “As pessoas têm muita dúvida sobre o que está sendo avaliado nessa categoria. Senti isso no bake-off, um evento oficial do Oscar onde convidaram os dez representantes dos filmes pré-selecionados para fazer uma defesa do próprio trabalho”, disse ele. “Como é o primeiro ano, ninguém sabe ao certo quais são os critérios ou os parâmetros para eleger os filmes (com as melhores opções). Porque poderia ser algo que dissesse respeito à qualidade das performances. Enfim, tem muitas possibilidades.” A Academia, pelo menos, define assim: “Seleção de elenco se refere ao processo pelo qual o diretor de elenco colabora com o diretor e os produtores de um filme na análise criativa, e seleção de atores que constituem o elenco de atuação de um filme.” Hermila Guedes, Licínio Januário, Wagner Moura, João Vitor Silva e Isabél Zuaa em cena de ‘O agente secreto’ Divulgação Do ‘casting’ à seleção O carioca de 36 anos começou a trabalhar no departamento de elencos justamente em um convite para integrar a equipe de outro filme do diretor Kleber Mendonça Filho, “Aquarius” (2016). A estreia como diretor de elenco aconteceu em “Divino amor” (2019). Desde então, trabalhou ainda em filmes como “O último azul” (2025) e em séries, como “Cangaço novo”. Apesar de não querer “discutir linguística”, ele explica que muito da confusão sobre a nova categoria se reflete na tradução do nome de sua carga no Brasil. “Nos Estados Unidos, chamam de ‘diretor de elenco’; na América Latina, de ‘diretor de elenco’. No Brasil, traduziu-se para ‘diretor de elenco’, o que gera uma ambiguidade. As pessoas ficam confusas porque os atores são dirigidos pelo preparador (de elenco), pelo diretor, etc”, conta Domingues. “Talvez um nome mais preciso fosse ‘direção de escalação de elenco’, mas como fica muito grande e feio, deixo para outras pessoas resolverem. O ideal seria chamar de ‘diretor de elenco’. É uma palavra (‘casting’) muito significativa e representativa da função; afinal de contas, é o nome que está no Oscar.” ‘Pecadores’ é um dos favoritos na categoria de melhor seleção de elenco Divulgação
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