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O Brasil pode ser sobretaxado pelos EUA para manter relação com o Irã

Por Redação
13 de janeiro de 2026
Em Entretenimento
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O Brasil pode ser sobretaxado pelos EUA para manter relação com o Irã
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Na segunda-feira (12), Donald Trump afirmou que aplicará uma tarifa de 25% “em toda e qualquer transação comercial realizada com os Estados Unidos” a “qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã”. “Esta ordem é final e irrecorrível”, escreveu Trump na rede Truth Social.

A declaração foi feita em resposta à repressão que o regime teocrático iraniano promove contra manifestantes locais desde a última semana de dezembro. Nesta terça-feira (13), o governo americano orientou seus cidadãos a deixar o país persa.

“Caso seja de fato aplicada uma tarifa de 25% sobre todos os países que têm relacionamento com o Irã, o Brasil seria um dos impactados”, afirma Sara Paixão, analista de macroeconomia do InvestSmartXP.

Ela explica, no entanto, que é difícil estimar os impactos pela incerteza sobre possíveis propostas de sobretaxa por produto ou setor, por exemplo.

“Nas últimas tarifas aplicadas sobre o Brasil, uma ampla gama de produtos foi retirada ao longo do tempo [da sobretaxa]”, ressalta. “Temos uma tarifa de 10% mais uma adicional de 40%, mas, integralmente, os 50% são aplicados a poucos produtos.”

Caso a ameaça de Trump se concretize de forma linear, sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA, os setores mais expostos seriam petróleo, ferro e aço, carne, café e suco de laranja.

“As commodities têm maior facilidade de realocação para outros mercados, diferentes dos produtos industriais”, comenta o analista. “O setor aeroespacial, por exemplo, seria ambientalmente mais impactado porque realocar esse tipo de produto é mais difícil.”

O Irã é o 11º maior comprador do agro brasileiro

A exposição brasileira ao risco tarifário se justifica pela relevância do Irã como parceiro comercial. Além de ambos integrarem o Brics, o país é um importante mercado para produtos do agronegócio, que representam 99% das exportações para o Irã.

Em 2025, o Irã importou US$ 2,92 bilhões do agronegócio brasileiro, ficando em 11º no ranking dos principais destinos, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que considera o bloco da União Europeia como um único parceiro comercial.

O principal item exportado pelo Brasil para o mercado iraniano é o milho. No ano passado, o Irã desembolsou US$ 1,98 bilhão na aquisição do cereal brasileiro, 23,1% de todas as vendas externas da commodity do Brasil.

Para Sara Paixão, embora as exportações brasileiras para o Irã sejam importantes, um possível embargo ao país do Oriente Médio não impactaria significativamente a economia brasileira.

“Por mais que [o Irã] seja relevante, não ocupa um espaço tão grande das nossas exportações”, diz. “Dentre os principais produtos exportados [pelo Brasil] commodities e, assim como acontece com os Estados Unidos, são produtos que conseguem repassar para outros mercados”, avalia.

Dependência de fertilizantes: a uréia é o principal produto importado

O comércio bilateral entre os países é bastante vantajoso para o lado brasileiro. As vendas iranianas para o Brasil em 2025 somaram apenas US$ 84,6 milhões, o que resultou em um superávit comercial de US$ 2,83 bilhões para o Brasil. A uréia, principal fertilizante à base de nitrogênio utilizado na agricultura, representa 79% das importações brasileiras do Irã, um dos principais produtores mundiais.

Oficialmente, o país persa registrou 184,7 mil toneladas do produto ao mercado brasileiro em 2025.

Por causa de avaliações econômicas, parte da produção do Irã é escolhida por Omã e, por isso, é registrada como originária do país segundo. As exportações omanenses de uréia para o Brasil em 2025 somaram 1,2 milhão de toneladas e US$ 452,9 milhões em valor total.

As consequências sobre uma potencial tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a países que negociam com o Irã ainda são incertas no mercado de uréia, diz Renata Cardarelli, especialista em grãos e fertilizantes da consultoria Argus.

“Fornecedores de uréia da Rússia e do Oriente Médio têm pouca clareza sobre se as entregas aos Estados Unidos terão custos adicionais”, afirma.

“Os produtores de uréia aguardam um posicionamento oficial dos Estados Unidos sobre possíveis tarifas de importação de uréia, com a maioria afirmando ser cedo para emitir qualquer opinião sobre os comentários de Trump.”

Segundo Renata, a ameaça é particularmente relevante para os fertilizantes nitrogenados russos, especialmente de uréia e de nitrato de amônio e uréia (UAN), que atualmente não têm taxas de importação nos Estados Unidos.

Curiosamente, caso os Estados Unidos sancionem as importações da Rússia por negócios com o Irã, uma das consequências indiretas seria uma oferta maior da uréia de origem russa para o Brasil, o que reduziria a dependência do mercado brasileiro do fertilizante iraniano.

“Um eventual aumento dos preços de uréia russa aos Estados Unidos pode fazer com que essa origem redirecione suas cargas para outros compradores, como o Brasil.”

Governo brasileiro monitora possibilidade de avaliações

O governo brasileiro passou a monitorar com atenção a ameaça de Trump de importar uma tarifa adicional para países que mantêm relações comerciais com o Irã. Segundo a CNNBrasil, O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou sua equipe a evitar respostas precipitadas e priorizar canais diplomáticos.

Caso a ameaça fosse antecipada, o presidente brasileiro não descartaria um contato direto com Trump para explicar que a relação entre Brasil e Irã é predominantemente comercial e voltada para a segurança alimentar, sem envolvimento de produtos bélicos ou estratégicos.

Nesta terça-feira, por meio de nota oficial, o governo afirmou acompanhar “com preocupação” a evolução das manifestações que ocorreram em diversas localidades do Irã e já deixaram cerca de 2 mil mortos por causa da repressão do regime teocrático do país.

Sem mencionar a ameaça de intervenção militar feita pelos Estados Unidos, o texto defende que os iranianos decidam “de maneira sóbria” sobre o seu futuro.

“O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas”, informa o comunicado. “Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidirem, de maneira sóbria, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em um diálogo pacífico, substantivo e construtivo.”

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Tags: Brasildonald trumpeuaEUA - Estados UnidosimportaçãoirámanterparapelospoderelaçãoRússiasersobretaxado
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