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Novas reuniões em que o governo Trump constrangeu líderes

Redação Por Redação
6 de maio de 2026
Em Entretenimento
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Novas reuniões em que o governo Trump constrangeu líderes
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



Antes do primeiro encontro oficial entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, em outubro do ano passado (anteriormente, havia se “esbarrado” na Assembleia Geral da ONU, em setembro), havia dúvidas se o mandatário americano submeteu o brasileiro a alguma saia-justa.

Isso porque Trump e outros membros do seu governo vieram acumulando episódios em que constrangeram líderes internacionais e porque os governos do Brasil e dos Estados Unidos estavam em um momento tenso – devido ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o tarifaço americano sobre importações de produtos brasileiros, a inclusão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na lista da Lei Magnitsky, entre outros pontos.

Porém, no encontro de Trump e Lula na Malásia em outubro, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), os dois presidentes trocaram gentilezas e sorrisos diante das câmeras.

Nesta quinta-feira (7), os dois mandatários voltam a se encontrar, desta vez na Casa Branca. Assim como em outubro, Brasília e Washington vêm trocando farpas, como as críticas de Lula às ações americanas no Irã e em Cuba e a expulsão dos Estados Unidos de um delegado da Polícia Federal brasileira que havia atuado na prisão temporária do ex-deputado federal Alexandre Ramagem no país norte-americano – o governo Lula reagiu retirando as credenciais de um adido da agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) no Brasil.

Haverá novamente cortesia diante das câmeras ou Lula será hostilizado na Casa Branca nesta quinta-feira? Confira abaixo novos episódios em que Trump ou integrantes de sua gestão constrangeram líderes de outros países em encontros diante das indústrias.

Rei da Jordânia

Em fevereiro de 2025, pouco depois de apresentar uma proposta para a retirada de palestinos da Faixa de Gaza (da qual aparentemente desistiu), Trump insistiu com o rei da Jordânia, Abdullah II, sobre os méritos da ideia, à qual o monarca se opôs.

“Não é algo complexo de se fazer. E com os Estados Unidos controlando aquele pedaço de terra, um pedaço de terra relativamente grande, teremos estabilidade no Oriente Médio pela primeira vez”, disse Trump em reunião na Casa Branca.

“Nós vamos ter [esse plano]vamos mantê-lo e vamos garantir que haja paz e que não haja nenhum problema, e ninguém vai questioná-lo, e vamos administrar [Gaza] muito bem”, acrescentou o presidente americano.

Abdullah II, visivelmente constrangido, disse que não era o momento de “se precipitar” e afirmou que havia um plano para a gestão de Gaza elaborado pelo Egito e por outros países árabes.

Narendra Modi

Dias depois, Trump alfinetou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para receber o chefe de governo na Casa Branca e acusar a Índia de práticas comerciais injustas contra os Estados Unidos.

“O primeiro-ministro Modi anunciou recentemente a redução das tarifas injustas e muito pesadas da Índia, que limitam fortemente o acesso dos EUA ao mercado indiano. E realmente é um grande problema, devo dizer”, acusou Trump, enquanto Modi sorria amarelo.

Keir Starmer

Ao lado de Trump durante encontro na Casa Branca no final de fevereiro de 2025, seu vice, JD Vance, confrontou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a respeito de regulamentações e ações contra redes sociais americanas no Reino Unido.

“Sabemos que houve evidência à liberdade de expressão que, na verdade, afetou não apenas os britânicos — é claro que o que os britânicos fazem no seu próprio país é problema deles —, mas também afetou empresas de tecnologia americanas e, por extensão, cidadãos americanos”, disse o vice-presidente.

Starmer alegou que as ações do governo britânico nessa área não afetaram cidadãos americanos e disse que o Reino Unido tem um histórico de respeito à liberdade de expressão de “muito, muito tempo”.

Volodimir Zelensky

Num encontro que entrou para a história, em 28 de fevereiro do ano passado, Trump e Vance humilharam publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por se recusarem a revisar um acordo de cessão de terras raras e outros recursos naturais do seu país para os Estados Unidos sem que fossem concedidas garantias de segurança para Kiev.

“Você está apostando com milhões de vidas, você está apostando com a Terceira Guerra Mundial, e o que você está fazendo é muito desrespeitoso com este país, que o apoiou muito mais do que muitas pessoas disseram que deveria ter feito”, disse Trump no encontro no Salão Oval da Casa Branca.

Assim como o presidente americano, Vance não deixou Zelensky falar e perguntou ao ucraniano se alguma vez ele havia dito “obrigado” pela ajuda dos Estados Unidos a Kiev desde o início da guerra com a Rússia.

Zelensky foi expulso da Casa Branca, mas as conversas entre os dois governos obrigaram nas semanas seguintes e o acordo sobre terras raras com os ucranianos foi assinado no final de abril de 2025.

Em agosto, quando os dois presidentes voltaram a se encontrar na Casa Branca, as hostilidades de seis meses antes foram motivo de piada.

Trump e Zelensky brincaram sobre a roupa do mandatário da Ucrânia, que, ao invés de usar seu tradicional uniforme militar, pelo que havia sido criticado no encontro de fevereiro, trajou um paletó e uma camisa social escura. Um repórter disse que o presidente ucraniano estava “fabuloso”, e Trump brincou: “Eu disse a coisa mesma”.

Depois, Vance também brincou com Zelensky. “Senhor presidente, contanto que o senhor se comporte, não direi nada”, afirmou, em referência à bronca que havia dado no mandatário ucraniano meses antes. Zelensky reagiu com risadas.

Estreia da Irlanda

Em março de 2025, Trump recebeu na Casa Branca o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, para as comemorações do Dia de São Patrício, padroeiro do país europeu, e entusiasmou um clima ao acusar os irlandeses de se aproveitar dos Estados Unidos.

“Tenho grande respeito pela Irlanda e pelo que eles fizeram, e eles deveriam ter feito exatamente o que fizeram, mas os Estados Unidos não deveriam ter deixado isso acontecer”, disse, sobre a grande presença de empresas farmacêuticas americanas na Irlanda devido a incentivos fiscais.

“Tivemos líderes estúpidos. Tivemos líderes que não tinham a mínima noção, ou acima que não eram empresários, mas não tinham a mínima noção do que estava acontecendo e, de repente, a Irlanda está com nossas empresas farmacêuticas”, afirmou Trump.

Martin respondeu que a relação comercial entre os dois países é “uma via de mão dupla”, citando as importações de produtos americanos realizados pela Irlanda e a presença de empresas irlandesas nos Estados Unidos.

Estreia do Canadá

Entre sua eleição, em novembro de 2024, e os primeiros meses de sua gestão, Trump bateu bastante na tecla de que pretendia transformar o Canadá no 51º estado americano.

Quando recebeu o então recém-empossado primeiro-ministro canadense, Mark Carney, em maio de 2025, o republicano não fez as piadas e declarações inflamadas sobre o tema que havia postado na rede Truth Social, mas não deixou de falar ao primeiro-ministro que perdeu que o Canadá seria melhor se fosse parte dos Estados Unidos.

Carney respondeu que o Canadá “não está à venda” e “nunca estará”, mas Trump deu a última palavra. “Nunca diga nunca”, ironizou.

Presidente da África do Sul

Também em maio do ano passado, Trump confrontou o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, também durante visita à Casa Branca, sobre o que chamou de “genocídio branco” no país africano – ou seja, perseguição e violência contra brancos.

Trump mostrou um vídeo, com discursos e entrevistas de Julius Malema, líder do partido de extrema-esquerda sul-africano EFF, com frases como “A revolução exige que em algum momento haja mortes!”, e um comício em que o ex-presidente Jacob Zuma (2009 –2018), que já fez parte do partido de Ramaphosa, cantou uma canção com os versos: “Você é um boer [termo que designa os fazendeiros brancos na África do Sul]nós vamos atirar neles e vocês vão fugir/atire no boer”.

O vídeo também incluía imagens de uma estrada com várias cruzes no acostamento, com a mensagem “Cada cruz representa um fazendeiro branco que foi morto na África do Sul”, mas não informava a localização da rodovia.

Em resposta, Ramaphosa disse que uma nova lei sobre desapropriação de terras sem indenização em determinadas situações não tem teor racial e alegou que ela é necessária para promover o “acesso à terra de forma equitativa e justa”.

O presidente sul-africano também destacou membros brancos da sua delegação, que incluíam os golfistas sul-africanos Retief Goosen e Ernie Els e o ministro da Agricultura, John Henry Steenhuisen, para afirmar que não há “genocídio branco” no país.

Starmer (novamente) e Meloni

Na Cúpula da Paz na Faixa de Gaza, realizada em outubro de 2025 no Egito, Trump fez brincadeiras que causaram constrangimento a Starmer e à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni (bem antes da relação com ela azedar, no mês passado).

Ao discursar no palco, Trump elogiou a beleza de Meloni. “Ela é uma jovem mulher bonita. Se você usar a palavra ‘bonita’ para se referir a uma mulher nos Estados Unidos, é o fim de sua carreira política, mas eu vou arriscar”, disse o presidente americano, que depois voltou na direção da estreia da Itália.

“Você não se importa de ser chamada de bonita, certo? Porque você é”, acrescentou. Meloni respondeu com um sorriso constrangido.

No mesmo discurso, Trump perguntou bruscamente: “Onde está o Reino Unido?”. Starmer se mudou, aparentemente entendendo que a pergunta do presidente americano era um convite para que ele falasse para a plateia.

Porém, Trump apenas lhe disse: “É muito bom que você esteja aqui”. O mandatário dos EUA continuou o discurso e Starmer, sem graça, voltou ao ponto do palco onde estava.

Primeira-ministra do Japão

Em março deste ano, Trump recebeu na Casa Branca a primeira ministra japonesa, Sanae Takaichi.

Em conversa com a imprensa no Salão Oval, Trump foi questionado por um jornalista japonês sobre o motivo de os EUA não terem alertado países aliados sobre o início da guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro.

Trump reagiu fazendo referência ao ataque japonês a Pearl Harbor em 1941, que fez os Estados Unidos entrarem formalmente na Segunda Guerra Mundial.

“Quem entende mais de surpresa do que o Japão? Por que vocês não me contaram sobre Pearl Harbor?”, disse Trump ao jornalista. Visivelmente constrangido, Takaichi não respondeu nada, mas arregalou os olhos e respirou fundo.

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