O regime do agora ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro foi responsável pela morte de 10.853 pessoas por execuções extrajudiciais desde 2013, quando chegou ao poder, informou a organização não governamental Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea) durante a apresentação de seu relatório anual sobre o país sul-americano nesta quinta-feira (14), em Caracas. Segundo a ONG, só em 2025, 336 pessoas foram assassinadas por policiais e militares do regime chavista no país.
As execuções extrajudiciais – segundo a Provea – são mortes provocadas por agentes do Estado sem julgamento, sem processo legal e fora de qualquer operação legítima de aplicação da lei. De acordo com a Provea, a maioria das vítimas de 2025 era formada por jovens: 54% tinham entre 18 e 30 anos e viviam em bairros populares. A organização afirmou ainda que a Polícia Nacional Bolivariana e o Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC) foram responsáveis por 57% dos casos.
A coordenadora de Monitoramento, Pesquisa e Mídia da Provea, Lissette González, afirmou que o Ministério Público venezuelano, então comandado por Tarek William Saab, não investigou nenhuma das mortes registradas em 2025.
O relatório desta quinta também mencionou um salto nos chamados desaparecimentos forçados, sequestros de opositores por parte do regime. Segundo a Provea, os casos desse tipo aumentaram 196% em 2025 em comparação com 2024. Foram 160 vítimas em 2025, contra 54 em 2024, com desaparecimentos que chegaram a durar mais de 100 dias.
Ainda de acordo com a organização, mais de 130 dirigentes sindicais foram detidos arbitrariamente no ano passado, e muitos deles foram submetidos a desaparecimento. Para a Provea, nos últimos anos do poder de Maduro, a repressão passou a ser mais seletiva e direcionada contra líderes sociais, sindicalistas e defensores dos direitos humanos.
A ONG também registrou 659 denúncias de transparência à integridade pessoal em 2025. Os casos incluem tortura, tratamentos cruéis, desumanos e degradantes, ameaças e hostilidades. Lissette González afirmou que houve pelo menos 42 vítimas de tortura no período.
O coordenador-geral da Provea, Óscar Murillo, afirmou que, depois de um 2024 marcado pelo que chamou de “apagão democrático”, a Venezuela viveu em 2025 “praticamente a liquidação do Estado de Direito”. Ele disse ainda que o país aconteceu “talvez uma tragédia como nunca aconteceu em matéria de direitos humanos”.
Murillo afirmou que o aparelho repressivo do Estado venezuelano permanece intacto em 2026, mesmo após a queda de Maduro no começo deste ano, e que as vítimas de sepulturas reveladas de direitos humanos ainda não contam com garantias reais de verdade, justiça e acessórios. Para ele, a estabilização do país depende do desmonte da estrutura repressiva construída ao longo dos últimos 20 anos.

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