A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner (2007-2015) destruiu figuras do Judiciário nesta terça-feira (17) durante depoimento perante um tribunal responsável pelo conhecido “Caso dos Cadernos”, julgamento que ela enfrentou por supostamente liderou uma associação ilícita que coletava propinas de empresários.
“No Caso dos Cadernos, há práticas mafiosas por parte de juízes e promotores”, argumentou ela perante a corte argentina, antes de reclamação: “Houve uma onda de prisões para pressionar empresários a testemunharem contra mim. Práticas mafiosas”.
Kirchner se decidiu a responder perguntas sobre as acusações que enfrentam na Justiça, crimes que ela negou ter ocorrido. Ela alegou que foram fabricadas provas para incriminá-la, citando como exemplo a escolha “estratégica” do foro (seleção do tribunal mais favorável para ajudar a ação).
Logo ao início da audiência, ela se irritou com perguntas protocolares do presidente do Tribunal Oral Federal nº 7. O ex-presidente foi questionado sobre seu nome, idade, estado civil e endereço, se tinha um “apelido” e antecedentes criminais.
Kirchner aproveitou a ocasião para alegar que sofre perseguição judicial. “Se alguém me perguntasse qual o caso mais emblemático de perseguição judicial, eu diria o caso Vialidad, em que estou presa injustamente”.
Ela criticou ainda o uso da figura do “réu cooperativo” — um mecanismo legal que vários dos empresários envolvidos no caso ganharam para reduzir suas penas — e denunciou a aplicação “criminosa e ilegal” da lei de delação premiada pelo então juiz do caso, Claudio Bonadio (falecido), e pelo promotor que contribuiu a investigação, Carlos Stornelli.
No momento seguinte, o ex-presidente disparou fortes críticas ao já falecido juiz Claudio Bonadió e ao promotor Carlos Stornelli, a quem acusou de “conduta mafiosa”.
“Estamos diante de um caso em que o juiz e o promotor são mafiosos, não se trata de perseguição política: são práticas mafiosas”, disse o banco dos réus. Ela acusou ainda outros magistrados de imparcialidade no caso.
Sobre o Caso dos Cadernos
Cristina Kirchner, que se encontra em prisão domiciliária desde 17 de junho de 2025 por uma reportagem relacionada com outro caso de corrupção, é acusada de liderar uma associação ilícita e de receber milhões de dólares em mais de 200 subornos de empresários. Além dela, outros 19 ex-funcionários do governo e 65 empresários enfrentam o julgamento.
Segundo detalhes da ação, o ex-presidente e seu marido, o falecido Néstor Kirchner, organizaram uma rede de arrecadação de fundos ilegais entre os anos de 2003 e 2015, cujo objetivo era angariar dinheiro ilícito. Para isso, foram feitos acordos com grandes empresários relacionados a projetos de obras e serviços públicos. Se condenada no novo caso, ela pode pegar penas de cinco a 10 anos.

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