A Justiça Federal da Argentina revogou nesta quinta-feira (9) o sigilo bancário, financeiro e fiscal de Manuel Adorni, chefe de gabinete do presidente Javier Milei e que está sendo investigado por suposto enriquecimento ilícito.
Segundo informações do jornal La Nación, a medida do juiz federal Ariel Lijo também foi aplicada contra Bettina Angeletti, esposa de Adorni, e à empresa AS Innovación Profesional, de quais ambos são proprietários. A revogação dos sigilos foi solicitada pelo procurador Gerardo Pollicita, responsável pela investigação.
O membro do Ministério Público havia pedido que os sigilos fossem revogados a partir de 1º de janeiro de 2022, a fim de “reconstruir confidencial o patrimônio dos referenciais antes da entrada de Manuel Adorni no serviço público [antes de ser chefe de gabinete, Adorni foi porta-voz da presidência de Milei, que teve início em dezembro de 2023]bem como examinar, dentro do prazo necessário, as alterações patrimoniais registradas antes e depois desse fato”.
Segundo o jornal El País, Adorni é investigado por transações imobiliárias envolvendo pelo menos dois imóveis que não foram declarados: uma casa em um condomínio fechado na cidade de Exaltación de la Cruz e um apartamento no bairro de Caballito, em Buenos Aires.
Adorni admitiu que residia atualmente no último imóvel e posteriormente foi divulgado que o chefe de gabinete teria comprado uma propriedade em novembro de 2025 por US$ 230 mil e que as mesmas duas mulheres que lhe venderam o apartamento — duas aposentadas de 72 e 64 anos — lhe pouparam US$ 200 mil para concluir a transação, quase 90% do valor total.
As investigações sobre o chefe de gabinete começaram após a revelação de que Angeletti acompanhou uma delegação oficial do governo argentino em viagem para Nova York, sem ocupar qualquer carga oficial.
Depois, foi divulgado um vídeo que mostrava Adorni e sua família embarcando em um avião particular com destino a Punta del Este – uma viagem que custaria cerca de US$ 10 mil e cujo pagamento ainda não foi esclarecido.
O chefe de gabinete de Milei negou qualquer irregularidade. “Construí meu patrimônio antes de entrar para o governo. Não tenho nada a esconder”, afirmou, em recente entrevista coletiva.
Adorni disse que mantém “padrões de transparência” que não existiam nas administrações anteriores da Argentina e que não aceitará questionamentos éticos de políticos que “viviam aos custos do Estado”.

Deixe o Seu Comentário