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Operação internacional coordenada pela Interpol descobriu uma delegacia falsa da Polícia Federal (PF) brasileira em Essuatíni — anteriormente conhecido como Suazilândia —, na África, utilizado para aplicar golpes financeiros e extorsão contra brasileiros e africanos. Pelo menos 82 falsos agentes policiais e colaboradores foram presos no local.
Passando-se por agentes e delegados da Polícia Federal do Brasil em videochamadas, os golpistas convenciam as vítimas de que eles haviam sofrido um crime, induzindo-as a transferir fundos para “guarda segura”, valores que foram então roubados. Devido à escala e à complexidade das evidênciasuma equipe de apoio operacional da Interpol foi enviada a um pedido das autoridades de Essuatíni para fazer uma análise forense dos dispositivos apreendidos, com apoio da PF do Brasil.
O local era uma réplica realista de uma delegacia de polícia brasileira, completa com uniformes, sinalização e equipamentos falsos.
A rede criminosa ópera jogos de azar on-line ilegallavagem de dinheiro e golpes sofisticados de identidade falsa a partir de Essuatíni. No local — uma réplica realista de uma delegacia de polícia brasileira, completa com uniformes, sinalização e equipamentos falsos — as autoridades apreenderam 240 dispositivos eletrônicos e dinheiro.
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A ação faz parte de uma operação antifraude global envolvendo 97 países e territórios, que resultou na prisão de 5.811 indivíduos e na interceptação de US$ 293 milhões em ativos ilícitos, de acordo com a Interpol. A operação Primeira Luz 2026 concentrou-se no combate a golpes de engenharia social e atividades de lavagem de dinheiro associados. Foi deflagrada entre 15 de janeiro e 30 de abril deste ano, mas só foi revelado pela Interpol na semana passada.
Engenharia social é um termo amplo que se refere a técnicas que exploram a confiança de uma pessoa para obter dinheiro ou informações úteis. Esse tipo de fraude pode incluir comprometimento de e-mails corporativos, extorsão sexual, bem como golpes românticos, identidade falsa ou de investimentos.
Em 2023, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) divulgou um relatório que apontava o crescimento desse tipo de golpe no sudeste asiático. Segundo o UNODC, situações em que pessoas são enganadas para serem obrigadas a cometer crimes representam 10,2% de todos os casos de tráfico de pessoas relatados em todo o mundo.
Após um período inicial de coleta e intercâmbio de informações de inteligência policial, os países participantes concentraram atividades operacionais por mais de três meses. Isso incluiu ações proativas contra alvos de alto valor, batidas policiais em locais identificados, bloqueio ou congelamento de contas bancárias e carteiras virtuais, solicitação de Avisos e Difusões da Interpol e o uso da ferramenta I-Grip (Intervenção Global Rápida em Pagamentos, na tradução livre do inglês), que interrompeu pagamentos e facilitou o bloqueio ágil de fluxos financeiros ilícitos, abrangendo tanto moedas fiduciárias quanto ativos virtuais.
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Golpes de engenharia social são ameaça transnacional
Mais de 142 mil vítimas em todo o mundo foram identificadas durante a operação, evidenciando como os golpes de engenharia social e as fraudes se transformaram em uma grande ameaça transnacional, afetando indivíduos, empresas e governos. Outros resultados incluem 152.808 casos confirmados, 31.014 contas bancárias bloqueadas, 23.715 casos solucionados, 15.606 suspeitos identificados e 99 avisos e difusões da Interpol emitidos.
“Golpes baseados em engenharia social continuam a representar uma ameaça significativa à nossa sociedade”, afirma Tomonobu Kaya, diretor do Centro da Interpol para Crimes Financeiros e Anticorrupção. “Grupos criminosos exploram a psicologia humana para manipular suas vítimas, e nenhuma nação pode estar segura a menos que todos os países estejam incluídos e comprometidos em combater essa ameaça de forma conjunta”, acrescenta ele.
Kaya reitera que a Interpol “se dedica a apoiar os países-membros na construção de uma estratégia abrangente e coordenada para enfrentar crimes financeiros facilitados pelo ambiente digital, redes criminosas organizadas e a lavagem de dinheiro que os alimenta”.
Esquema de fraudes se repete em diversos países
N / D Tailândiaa polícia fez duas prisões e descobriu um esquema de lavagem de dinheiro que canalizava recursos ilícitos provenientes de novos tipos de golpes para diversas criptomoedas, utilizando trocas de dinheiro fichas entre diferentes redes (cadeia cruzada) para ocultar o rastro financeiro. As investigações revelaram que a carteira digital de um dos suspeitos, de 20 anos, havia movimentado mais de 122,5 milhões de dólares em apenas 10 meses.
Autoridades de Singapura e Omã utilizaram o sistema I-Grip para bloquear uma transferência ilícita de 6,6 milhões de dólares ligada a um golpe de comprometimento de e-mail corporativo. Nesse caso, uma empresa de comércio de mercadorias sedada em Singapura foi alvo de infrações que se passaram por um fornecedor.
A polícia de Macau, na Chinarealizou uma ação de conscientização comunitária sobre fraudes como parte da operação Primeira Luz 2026. Durante a iniciativa, os policiais descobriram que um dos participantes estava sendo manipulado por uma organização criminosa.
Passando-se por autoridades públicas, os criminosos melhoraram a vítima a transferir dinheiro sob o pretexto de uma investigação de fraude. Graças à campanha pública, a polícia conseguiu intervir antes que a vítima enviasse cerca de 372 mil dólares americanos aos fraudadores.
Por sua vez, autoridades de Palau deportaram 22 indivíduos pelo envolvimento em dois centros de golpes interligados que operavam a partir de hotéis. Os suspeitos utilizaram criptomoedas e sites de jogos de azar ilegais para visar vítimas em países estrangeiros, executando diversos esquemas de fraude online.
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