
Entre todos os filmes do herói da Marvel, “Homem-Aranha: Um novo dia” só não é melhor que “Sem volta para casa” (2021) – mas, para muitos fãs dos quadrinhos, pode até superar. O novo filme, que estreia nesta quarta-feira (29) nos cinemas brasileiros, não tem a extravagância do anterior. Ele acerta exatamente ao ir para o lado oposto e apostar numa aventura um pouco mais pé no chão. Essa quarta adaptação solo feita pelo próprio estúdio da editora abre caminho para um Homem-Aranha mais maduro, um pouco mais fiel aos gibis e até mais emocional. Mas, não se preocupe, ele continua engraçado. Não seria o Aranha caso contrário. Em “Um novo dia”, nosso Peter Parker se fundou no trabalho como o herói Amigão da Vizinhança de Nova York para tentar superar a solidão – depois de ter usado um encantamento para fazer o mundo inteiro esquecer de sua existência no filme anterior. Como se não bastasse ter de enfrentar uma nova ameaça, que consegue controlar as pessoas interrogadas, ele ainda precisa enfrentar mudanças estranhas em seu corpo e em seus poderes. Nada cósmico. Nada que ameace esta e outras realidades. Mas mais do que suficiente para um jovem sem amigos, sem família e sem o amor de sua vida. Assista ao novo trailer de ‘Homem-Aranha: Um novo dia’ Todo esse contexto mais humano tira o melhor de Tom Holland, ator que pode nunca ter passado muito do esforçodo, mas que sabe muito bem equilibrar carisma com humor e uma carinha de filhote entristecido. O roteiro também eleva a participação de Zendaya, cujo MJ pela primeira vez tem algum nível de complexidade além de “namorada do herói”. Mas são as novidades no elenco que realmente se destacam. Liza Colón-Zayas, de “O Urso”, valoriza um papel pequeno que, com sorte, deve aparecer de novo nos filmes do Aranha. Já como uma grande personagem misteriosa sobre qual qualquer informação deve gerar gritos desesperados de “SPOILER” por nerdolas por aí, a jovem Sadie Sink provou que é o nome mais promissor do elenco de “Stranger Things” – e uma isca adição ao Universo Marvel em geral. Zendaya e Tom Holland em cena de ‘Homem-Aranha: Um novo dia’ Divulgação Um diretor em Nova York (?) O trabalho mais difícil em “Um novo dia” era o do diretor Destin Daniel Cretton, que herdou o papel de Jon Watts, responsável pela trilogia anterior. Só que o cineasta não foi contratado para toa. No filme, ele mostra a mão certa para a ação que já foi exibida em “Shang-Chi e a lenda dos dez anéis”. A Marvel tem evoluído aos poucos a exploração dos poderes aracnídeos de Peter, e Cretton tira o melhor deles até agora ao colocar o espectador junto do herói em grande parte de seus passeios saltitantes pelos arranha-céus de Nova York. Às vezes, a obra chega perigosamente perto até demais de parecer um videogame, mas logo se controla novamente. “Um novo dia” também recupera um dos aspectos mais específicos para os quadrinhos do protagonista. Pela primeira vez nos filmes da Marvel, Nova York se torna quase um personagem no panteão do Aranha. Incrível, considerando que tudo foi rodado na Escócia, do outro lado do Atlântico. Tirando alguns exageros de roteiro, algumas tramas paralelas que poderiam ser deixadas para uma outra ocasião, ou o fato de ninguém se preocupar com como diabos Peter paga as contas sem um emprego, “Um novo dia” é mais um ótimo passo na jornada do herói nos cinemas. O gênero até passa por uma crise – mas essa crise, por sorte, passa longe do Aranha. Arte/g1
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