Uma questão que nem mesmo Albert Einstein conseguiu resolver em vida ganhou um novo capítulo no final de 2025. Estudo publicado na revista Naturezaem outubro, reacende um velho debate da física moderna: afinal, a gravidade precisa ser quantizada para produzir especificações como o entrelaçamento quântico?
A resposta tradicional – de que, sim, essa era a única possibilidade – acaba de ganhar um contraponto convincente.
Os autores, professores do Departamento de Física da Universidade de Londres, descobriram que sob certas condições – quando a matéria é descrita pela teoria quântica de campos –, mesmo uma gravidade tratada de modo totalmente clássico pode gerar entrelaçamento quântico entre massas em superposição.
A conclusão não derrubou a ideia da gravidade quântica, mas alterou a interpretação de uma das estratégias experimentais mais promissoras para detectá-la.
Experimentos com superposição podem gerar entrelaçamento sem gravidade quântica, dizem cientistas
Nos últimos anos, grupos de pesquisa em diversos países se dedicaram a um tipo particular de experimento: colocar duas pequenas massas em superposição quântica e observar se a interação gravitacional entre elas produz entrelaçamento. Muitos físicos defendem que esse entrelaçamento seria um “sinal inequívoco” da quantização da gravidade.
Agora Joseph Azizi e Richard Howl, da Universidade de Londres, afirmam à Nature que tal argumento estava incompleto. A afirmação, de acordo com eles, ignorava um ingrediente essencial: a teoria quântica de camposque descreve uma matéria de forma mais realista que a mecânica quântica tradicional.
O novo trabalho revela que, quando a matéria é tratada com essa estrutura mais completa, surgem canais de interação mediados por partículas virtuais de matéria.
Esses canais, independentemente dos gráficos, podem transmitir informação quantitativa entre as massas e gerar entrelaçamento. Isso significa que a gravidade clássica pode, sim, estar envolvida em um processo que resulta em um efeito quântico, mesmo sem ser quântica ela mesma.
Os autores mostram ainda que esse tipo de entrelaçamento cresce com massas, distâncias e tempos de maneira distinta do que se esperaria caso o mediador fosse um campo gravitacional quantizado.
A implicação é imediata: uma simples detecção de entrelaçamento já não serve como prova definitiva de gravidade quântica. Os futuros experimentos precisarão medir como esse entrelaçamento varia com diferentes parâmetros, e não apenas se ele existir.
Será necessário demonstrar que as características observadas não se encaixam no mecanismo clássico+QFT descrito pelos autores. Isso torna os experimentos mais desafiadores, exigindo superposições maiores, maior tempo de coerência e precisão de extrema precisão.
E o que isso significa para a física quântica?
Imagine o seguinte cenário hipotético: dois dançarinos estão em um palco escuro. Cada um deles pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, como se estivessem duplicados em cena.
Nenhum deles pode conversar nem combinar passos. A única coisa que os conectam é uma música muito suave, quase imperceptível. Ou seja: a gravidade.
Mesmo assim, a coreografia dos dois sai perfeitamente sincronizada, como se uma resposta ao outro sem comunicação direta. Essa sincronia profunda é uma metáfora do entrelaçamento quânticoque muitos físicos acreditavam só poderia surgir se a gravidade fosse, ela mesma, um interesse quântico.
Mas o novo estudo sugere que essa visão estava incompleta. Segundo os autores, a própria matéria – que é quântica por natureza – pode, em certas condições, gerar essa “sincronia invisível” entre os dançarinos, mesmo quando a música que os guia continua sendo totalmente clássica.

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