A França recebeu nesta quarta-feira (27) o apoio do governo da Noruega para ampliar o diálogo sobre dissuasão nuclear na Europa, em meio ao reforço da segurança continental diante das ameaças da Rússia. O anúncio foi feito em Paris, durante a visita do primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, ao presidente francês, Emmanuel Macron.
Segundo Macron, a entrada da Noruega na iniciativa francesa de “dissuasão nuclear avançada” representa “uma etapa muito importante” na cooperação entre os dois países. O presidente francês afirmou que a adesão de Oslo será “o motor de uma cooperação muito ambiciosa” em segurança coletiva.
De acordo com o governo norueguês, Oslo passará a participar das conversas lideradas pela França sobre o papel do arsenal nuclear francês na defesa europeia. O diálogo já envolve países como Polônia, Alemanha, Reino Unido e outros parceiros nórdicos.
Støre afirmou que a principal garantia de defesa da Noruega continua sendo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a guarda-chuva nuclear dos Estados Unidos. Ainda assim, o primeiro-ministro disse que as capacidades francesas representam “uma contribuição importante” para a dissuasão europeia.
O dirigente norueguês também citou a preocupação de Oslo com a presença de infraestruturas nucleares russas próximas à fronteira da Noruega. Ele reiterou ainda o apoio do país à Ucrânia, que enfrentou uma invasão russa há mais de quatro anos.
Além da adesão ao diálogo nuclear francês, Paris e Oslo concordaram com o chamado Acordo de Narvik. O documento estabelece um princípio de assistência mútua, amplia os anexos militares e reforça a cooperação em áreas como defesa antiaérea, segurança no Ártico, espaço e apoio a Kiev.
Segundo Støre, o acordo permitirá que França e Noruega atuem “rapidamente e de forma coordenada” em caso de crise. Ele afirmou que a Europa vive “a situação de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial”.
Macron também destacou o aumento da presença militar francesa em território norueguês desde 2025, incluindo o primeiro envio de caças francesas ao país e a ampliação da presença naval francesa na região do Ártico.
A aproximação ocorre em um momento de maior pressão sobre os países europeus para fortalecer sua própria defesa, enquanto a guerra da Rússia contra a Ucrânia mantém elevada a tensão militar no continente.
VEJA TAMBÉM:
-

França envia porta-aviões nucleares ao Oriente Médio para possível missão no Ormuz
-

França anuncia que vai ampliar seu arsenal nuclear e incluir Europa em estratégia de dissuasão











Deixe o Seu Comentário