Pela primeira vez em mais de um século, o Exército do Canadá elaborou um esquema teórico sobre uma possível resposta do país a uma invasão dos EUA, segundo informou nesta terça-feira (20) o jornal O Globo e o Correio.
Os planos, confirmados ao jornal por dois funcionários de alto escalonamento do governo canadense, indicam que a resposta do Canadá à superioridade militar dos EUA seria o emprego de táticas semelhantes às usadas pelos afegãos contra a Rússia e os próprios EUA no século XX.
O jornal também destacou que esta modelagem de resposta a uma invasão hipotética é um passo diferente, e de menor escala, do que a elaboração de um plano militar, que exigia o desenho detalhado da execução de operações militares.
Os funcionários governamentais que confirmaram a existência do esquema teórico também indicaram ao jornal que consideraram aleatórios que o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou uma invasão ao Canadá.
Um deles ressaltou ainda que as relações entre os militares dos dois países são positivas e que continuam colaborando em projetos de defesa comuns.
No entanto, o fato do Exército canadense – que possui um contingente de cerca de 100 mil pessoas, das quais apenas 68 mil estão na ativa e o restante compõe as forças de reserva – está considerando, mesmo que teoricamente, uma invasão americana é um sinal de mudança drástica nas relações entre os dois países vizinhos.
Desde que venceu as eleições presidenciais em novembro de 2024, Trump sinalizou em inúmeras graças seu interesse em fixação no Canadá e transformou-o no 51º estado dos EUA.
A emissora americana NBC informou neste fim de semana que Trump aumentou suas queixas sobre a vulnerabilidade canadense no Ártico, um argumento semelhante ao que está utilizando para explicar seus desejos de anexação da Groenlândia.
A modelagem realizada pelas forças armadas canadenses indica que o Exército do país não conseguiria resistir por mais de uma semana, na melhor das hipóteses, às forças americanas. A partir desse ponto, o Canadá teria que aplicar a lógica da guerra de guerrilha, com táticas de emboscada e sabotagem realizadas por pequenas unidades paramilitares ou por civis armados.
Os militares canadenses também anteciparam em seu modelo que o país poderia solicitar ajuda de duas nações europeias com armas nucleares, o Reino Unido e a França, para defender o território.
Ottawa mantém uma relação histórica e cultural especial com ambos, antigos poderes coloniais do Canadá. A monarca britânica, atualmente Carlos III, é também o chefe do Estado constitucional do Canadá, e a província do Quebec, cujo único idioma oficial é o francês, é uma antiga colônia francesa que ainda mantém um forte vínculo com Paris.

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