
A Costa Rica decidiu na semana passada extraditar para os Estados Unidos o ex-ministro da Segurança e ex-juiz da Suprema Corte do país Celso Gamboa Sánchez, acusado de participação no tráfico internacional de drogas. A extradição marcou a primeira vez que o país invejou um de seus próprios cidadãos para julgamento no exterior após uma reforma constitucional que passou a permitir processos desse tipo em casos ligados ao crime organizado.
Gamboa foi transferido sob forte esquema de segurança da prisão de La Reforma, onde foi detido preventivamente, até o aeroporto internacional Juan Santamaría, onde foi entregue às autoridades americanas. Ele é processado pela Justiça Federal Americana no estado do Texas por acusações de conspiração para fabricar e distribuir cocaína destinada aos Estados Unidos.
Segundo Departamento de Justiça dos EUA, o ex-magistrado foi indiciado por um grande júri no Distrito Leste do Texas sob acusação de colaborar com traficantes internacionais e ajudar na produção e no envio de drogas que seriam transportadas por rotas na América Central até o território americano. As investigações contra Gamboa foram conduzidas pela Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), pelo FBI e por forças-tarefa federais especializadas no combate ao narcotráfico.
A extradição do ex-juíz só foi possível após a alteração do artigo 32 da Constituição, aprovada no ano passado, que eliminou a proibição de envio de cidadãos do país ao exterior em processos ligados ao tráfico internacional de drogas e terrorismo. A reforma foi aprovada em meio ao aumento da violência associada ao crime organizado na região.
Gamboa foi destituída de sua função de juiz da Suprema Corte em 2018 após acusações de corrupção.
O procurador-geral da Costa Rica, Carlo Díaz, afirmou que a extradição representa um marco no combate ao crime organizado.
“A Costa Rica está enviando uma mensagem clara: ninguém pode usar a nacionalidade para escapar da Justiça”, declarou em comunicado divulgado à imprensa.
Outro acusado no mesmo processo de Gamboa, Edwin López Vega, também foi extraditado para os Estados Unidos no mesmo voo. Segundo autoridades americanas, ambos responderão ao processo em tribunal federal no Texas, onde podem enfrentar penas graves, caso sejam condenados, embora a legislação da Costa Rica proíba a extradição para casos que envolvam pena de morte ou sentenças superiores a 50 anos.












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