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A Comissão Europeia quer manter congeladas por mais seis meses as represálias tarifárias estimadas em 93 bilhões de euros aos EUA, depois que o presidente americano, Donald Trump, retirou sua ameaça contra os oito países europeus que enviaram tropas para a Groenlândia. A medida entraria em vigor no próximo dia 7.
“A Comissão vai fazer uma proposta para prorrogar as nossas contramedidas, que expirarão em 7 de fevereiro. Entendendo que será o mesmo período que a suspensão prévia, que são seis meses”, disse o porta-voz do Comércio da Comissão Europeia, Olof Gill.
O porta-voz lembrou que a Comissão quer aplicar o acordo comercial ao qual as indústrias chegaram com os EUA, que permite a Washington exportar seus bens livres de tarifas, embora ao mesmo tempo tenha assinalado que o bloco europeu pode ativar as represálias “se for possível em algum momento”.
“Com a retirada da ameaça tarifária por parte dos EUA, podemos voltar à importante tarefa de implementar o comunicado conjunto entre a UE e os EUA”, afirmou Gill.
Na cúpula extraordinária que os líderes europeus realizaram nesta quinta para analisar o boato de que deve tomar a relação transatlântica de um Trump “volátil” saiu um consenso majoritário sobre a necessidade de aplicar o pacto comercial, que o Parlamento Europeu paralisou na quarta-feira, antes de Washington retirar sua ameaça.
“A presidente (da Comissão, Ursula) Von der Leyen foi muito clara quando disse que ‘um acordo é um acordo’ (…) e continua sendo nosso roteiro para criar as condições de estabilidade e previsibilidade permissão para o comércio transatlântico”, apontou o porta-voz, em referência às declarações feitas ontem pelo presidente da Comissão ao término da cúpula.
Diante do novo cenário, a Comissão quer agora prorrogar a suspensão das represálias tarifárias contra os EUA, uma proposta que os países da UE terão de validar por maioria comprometida nos próximos dias.
Neste contexto, a UE descartou também, por agora, a possibilidade de estrelar a “bazuca comercial”, uma opção que esteve sobre a mesa nos últimos dias.
“Esta semana mostrou que a UE está preparada para agir quando for necessário. Alcançamos nossos objetivos por meios diplomáticos e políticos, que sempre serão nossa prioridade, em vez de seguir para uma espiral de medidas e contramedidas que só ajudarão os adversários que queremos deixar à margem do cenário geopolítico”, disse Gill.
Os eurodeputados da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu discutirão na próxima segunda-feira se vão manter a suspensão do acordo ou se mudarão de postura, agora que Trump retirou a ameaça.
O chefe da comissão parlamentar, o social-democrata Bernd Lange, pediu ontem para conhecer os detalhes do pré-acordo que Trump anunciou sobre a Groenlândia, antes de tomar uma decisão.
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