O enviado especial dos Estados Unidos à Bielorrússia, John Coale, afirmou neste sábado (13) que o governo de Donald Trump está suspendendo as avaliações à produção de potássio do país, aliado da Rússia. O anúncio, feito em vídeo divulgado pelo canal do Telegram do governo do belorusso Alexander Lukashenko, ocorre após dois dias de negociações entre os países.
EUA e União Europeia impuseram embargos comerciais à Bielorrússia depois que Minsk lançou uma violenta repressão contra manifestantes após uma eleição contestada em 2020, que resultou na prisão de quase todos os opositores de Lukashenko que não deixaram o país. Novas avaliações foram aplicadas pelo governo que permitiu que a Bielorrússia servisse de base para a invasão da Ucrânia por tropas russas, em 2022.
Ex-integrante da União Soviética, Bielorrússia é aliada próxima da Rússia e importante fornecedora global de potássio, componente essencial para fertilizantes.
Em contrapartida à derrubada das avaliações, Lukashenko anunciou a liberação de 123 presos políticos, incluindo o Prêmio Nobel da Paz Ales Bialiatski, uma das líderes da oposição, Maria Kolesnikova, e o ex-candidato à presidência Viktor Babariko.
“No âmbito dos acordos alcançados com o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu pedido, em ligação com o cancelamento das sanções ilegais contra a indústria de potássio da República da Bielorrússia, impostas pela administração do anterior Presidente dos EUA, [Joe] Biden, e em ligação com a transição para o plano prático do processo de levantamento de outras avaliações invulgares contra a República da Bielorrússia, o Chefe de Estado decidiu perdoar 123 cidadãos de vários países, condenados ao abrigo das leis da República da Bielorrússia por cometerem crimes de diferentes orientações”, diz trecho de um comunicado oficial.
“Este gesto foi igualmente realizado em ligação com os pedidos de outros chefes de Estado e com base nos princípios humanitários e nos valores humanos e familiares universais.”
Em evidência ao acordo com os EUA, um dos líderes da oposição belarussa, Franak Viacorka, disse que as avaliações da União Europeia — que incluem a proibição de exportação de potássio por portos europeus — são mais importantes do que as americanas. “Lukashenko não mudou sua política. A repressão continua e ele continua apoiando a guerra da Rússia contra a Ucrânia”, disse Viacorka à agência de notícias Reuters.
“É por isso que devemos ser extremamente cautelosos com qualquer conversa sobre o rompimento das avaliações — para que não possamos fortalecer a máquina de guerra da Rússia ou recompensando a repressão em curso.”
Lukashenko diz que Maduro seria bem-vindo à Bielorrússia
De acordo com a agência de notícias estatal Belta, Coale e Lukashenko discutiram uma ampla gama de assuntos, incluindo a guerra na Ucrânia e a situação na Venezuela.
Lukashenko teve dois encontros recentes com um importante diplomata venezuelano e afirmou que o presidente do país, Nicolás Maduro, seria bem-vindo na Bielorrússia.
Sobre a guerra na Ucrânia, Coale disse acreditar que a proximidade de Lukashenko com o presidente russo, Vladimir Putin, poderia ser útil no contexto dos esforços para pôr fim aos combates.
“Seu presidente tem uma longa história com o presidente Putin e tem a capacidade de aconselhá-lo. Isso é muito útil nesta situação. Eles são amigos de longa data e têm o nível de relacionamento necessário para discutir tais assuntos”, disse o enviado americano a Belta. “Naturalmente, o presidente Putin pode aceitar alguns conselhos e não outros. Esta é uma forma de facilitar o processo.”
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