O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta sexta-feira (19) que Washington não pretende importar um acordo de paz para a Ucrânia. Ele falou em meio a uma intensa rodada diplomática em Miami, que reúne representantes da Ucrânia e de países europeus em busca de uma saída negociada para a guerra com a Rússia.
Rubio rejeitou a ideia de pressão externa sobre Kiev ou Moscou. Segundo ele, os Estados Unidos atuam como facilitadores do diálogo, não como julgados. “Não podemos obrigar a Ucrânia a aceitar um acordo. Também não podemos obrigar a Rússia. Um acordo só existe se as duas partes quiserem”, declarou. O secretário indicou que poderá participar pessoalmente das conversas neste sábado.
As negociações ocorrem sob a condução de aliados próximos do presidente Donald Trump, entre eles o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner. A proposta em discussão prevê garantias de segurança à Ucrânia, mas envolve concessões territoriais, ponto que enfrenta forte resistência interna em Kiev.
Ucrânia articula garantias de segurança enquanto Putin reforça ofensiva
O ministro da Defesa Ucraniana, Rustem Umerov, liderou a delegação do país. Ele já se reuniu com representantes dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França e da Alemanha para alinhar as prioridades definidas pelo presidente Volodimir Zelensky, centradas em garantias de segurança e rigor. Após os encontros, Umerov informou que conversou com Zelensky e que o trabalho conjunto seguirá “em linha clara” com os objetivos do governo ucraniano.
Enquanto a diplomacia avança, o conflito segue ativo. A Rússia ainda não respondeu formalmente às mudanças feitas pela Ucrânia e pelos países europeus no plano de 28 pontos apresentados anteriormente por Washington, criticado por favorecer Moscou.
Poucas horas antes, o presidente russo, Vladimir Putin, suportou o discurso e afirmou que o desfecho da guerra depende de Kiev e de seus aliados ocidentais. Ele disse que as forças russas avançaram ao longo da linha de frente e projetaram novos ganhos militares até o fim do ano. Hoje, a Rússia controla cerca de 19% do território ucraniano, incluindo a Crimeia, anexada em 2014.
No campo de batalha, a violência não diminui. Um ataque com míssil balístico atingiu a região de Odessa, no Mar Negro, matou sete pessoas e deixou pelo menos 15 feridos, segundo autoridades locais. O alvo foi a infraestrutura portuária.
Putin também comentou decisões recentes da União Europeia, que optou por não usar ativos ativos congelados para financiar um empréstimo na Ucrânia. Mais de 200 bilhões de euros do Banco Central Russo permaneceram retidos na Euroclear, em Bruxelas. O presidente russo classificou qualquer uso desses recursos como “um assalto”.

Deixe o Seu Comentário