Noelia Castillo, uma espanhola de apenas 25 anos, obteve autorização da Justiça para morrer por suicídio assistido nesta quinta-feira (26), contrariando a posição de sua família, que iniciou uma batalha judicial para impedir que o processo seguisse em frente. A confirmação de sua morte foi divulgada pela organização Advogados Cristãos, que representa seu pai em justiça.
A decisão do jovem foi tomada após viver por mais de quatro anos com paraplegia e dor crônica, causada por episódios de violência extrema, um estupro coletivo que sofreu na época, seguido de uma tentativa de suicídio, que resultou em uma queda que a deixou com sequelas graves.
Em suas argumentações perante diferentes tribunais, a defesa de Castillo argumentou que seu quadro de sofrimento físico e psicológico era “considerado grave e irreversível”.
Com os pedidos consecutivos de revogação da eutanásia negados pela Justiça de Espanha, uma comissão independente concluiu que o jovem atendia aos critérios previstos na legislação para morrer por suicídio assistido.
Entenda o caso
O caso de Noelia começou a ser conhecido do público espanhol em 2 de agosto de 2024, dia em que sua eutanásia havia sido agendada pela primeira vez, após receber a aprovação da Comissão Catalã de Garantia e Avaliação (CGAC), órgão que avalia os pedidos de eutanásia. No último minuto, um juiz suspendeu a eutanásia, em resposta ao processo movido pelo pai do jovem, assessorado pelo grupo católico Advogados Cristãos.
O caso foi levado aos tribunais, ao Tribunal Superior de Justiça da Catalunha (norte de Espanha), ao Supremo Tribunal e ao Tribunal Constitucional, que rejeitaram o último recurso, no qual o pai pedia novamente a suspensão da eutanásia como medida de precaução.
Quase dois anos depois, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) decidiu-se a suspender a eutanásia, conforme solicitado pelo pai, após esgotar todos os recursos legais em Espanha.
Noelia se tornou a paciente mais jovem da Espanha a receber eutanásia e a sexta paciente psiquiátrica da Catalunha a passar pela morte assistida.

Deixe o Seu Comentário