Portugal vai às urnas neste domingo (18) em uma eleição presidencial que pode marcar o fim de décadas de hegemonia dos partidos tradicionais. Pela primeira vez em 40 anos, o surgimento de novas forças conservadoras e a fragmentação política devem empurrar a disputa para um segundo turno.
No centro dessa mudança está André Ventura, líder da legenda de direita do Chega, que está em primeiro lugar nas pesquisas. Ele tem cerca de 24% das intenções de voto e é seguido pelo socialista José Seguro, com 23%. Como são muitos candidatos — 11 ao todo — é quase impossível que um deles vença logo no primeiro turno.
Para evitar uma vitória conservadora, os adversários de Ventura partiram para o discurso do “voto útil”. Seguro, candidato do Partido Socialista (PS), é o principal defensor dessa estratégia. “Sou o único democrata que defende o Estado social, a saúde e as escolas públicas, a nossa Constituição e que pode passar a um segundo turno”, afirma.
Atrás dele aparecem João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal (com cerca de 19% das intenções de voto), Luís Marques Mendes, apoiado pelo Partido Social Democrata (14%), e o almirante Henrique Gouveia e Melo, candidato independente (14%).
Os três estão num campo entre o centro e a centro-direita, mas nenhum deles apresenta o mesmo discurso de ruptura de Ventura — que, segundo analistas, transformou o pleito em uma espécie referendo, em que o povo português vai opinar sobre temas como identidade nacional, imigração, doutrinação ideológica e soberania.
Usando o lema “Salvar Portugal”, André Ventura também vem explorando a pauta da segurança pública. “Se você cometer um crime aqui, vai para a prisão por vários anos ou até décadas. Assim que cumprir a pena, não ficará nem mais um segundo neste país”, afirma.
“Direita autêntica”
Fundado em 2019, o Chega passou de um único deputado para uma bancada de 60 representantes nas últimas eleições legislativas, em maio do ano passado — e se consolidou como a segunda maior força política do país, atrás apenas do Partido Social Democrata (PSD), que lidera a atual coalizão de governo.
Classificado como “ultradireita” pelos setores da opinião pública portuguesa, a legenda rejeita o rótulo e se define como “direita direita”. No seu programa, o Chega enfatizou a defesa dos valores nacionais e a crítica às elites políticas que comandaram o país há décadas.
Em Portugal, o presidente tem um papel mais simbólico — sem poder direto para governar, ele atua basicamente como um julgado. Ainda assim, a eleição deste domingo tem peso político real e, segundo os analistas, pode entrar para a história como um ponto de virada na vida portuguesa.

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