A nova ditadora da Venezuela, Delcy Rodríguez, prometeu cooperação ao governo dos Estados Unidos meses antes da captura do ditador Nicolás Maduro pelas forças americanas no último dia 3, segundo revelado nesta quinta-feira (22) o jornal britânico O Guardiãoque afirma ter obtido a informação com quatro fontes.
De acordo com o jornal, Delcy Rodríguez e seu irmão, Jorge Rodríguez – chavista que comandou o Parlamento da Venezuela, não participaram diretamente da operação que resultou na captura de Maduro. Ainda assim, segundo as fontes ouvidas pelo Guardiãoambos foram assegurados ao governo dos Estados Unidos, por meio de intermediários, que colaborariam com Washington no dia seguinte à ação.
Delcy, que exerceu o cargo de vice-presidente durante o regime de Maduro, tomou posse como líder interina da Venezuela apenas dois dias após a captura do então ditador chavista. As fontes afirmam que representantes do governo do Catar estiveram envolvidos nas negociações mantidas entre os Rodríguez e autoridades americanas.
Segundo o Guardiãoessas conversas vinham ocorrendo desde o outono no Hemisfério Norte e se intensificaram após uma conversa telefônica, em novembro, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ditador Maduro, que teria sido infrutífero na tentativa de obter a saída voluntária do líder chavista do poder.
Ainda de acordo com o jornal britânico, em dezembro, diante do agravamento da crise, Delcy teria afirmado a um de seus interlocutores americanos que “colaboraria com o resultado que se apresentasse”.
A reportagem afirma também que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, inicialmente resistente a qualquer entendimento com os Rodríguez, passou a considerá-los como uma alternativa “menos ruim” para viabilizar uma transição que evitasse instabilidade e caos no país.
Em outubro do ano passado, o jornal Miami Herald publicou que Delcy Rodríguez conspirava de forma ativa ou passiva para a queda de Maduro por ambições. Embora ela tenha negado essas acusações, sua postura teria sido reforçada, segundo a reportagem do Guardiãoa percepção entre autoridades americanas de que se tratava de um interlocutor com quem seria possível chegar a algum tipo de acordo.

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