Mais de seis milhões de hondurenhos são convocados às urnas neste domingo (30) para as eleições gerais que decidirão a continuidade do partido governista Liberdade e Refundação (de esquerda) ou o retorno dos partidos conservadores Nacional e Liberal, em um país assolado pela pobreza, corrupção e insegurança.
O clima que antecedeu o dia da eleição foi marcado por tensão, dúvidas sobre a transparência do processo eleitoral e risco de violência, levando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a se manifestar na véspera da votação.
A transparência do processo foi questionada devido a denúncias de fraude, bem como alegações de interferência do Ministério Público na abertura de investigações contra altas autoridades eleitorais e à possível interferência das Forças Armadas no processo.
Cinco partidos e quatro candidatos à presidência organizando a disputa, e quem vencerá Xiomara Castro em 27 de janeiro de 2026.
Segundo as principais pesquisas divulgadas no país, os candidatos com apoio maior dos candidatos são o advogado Rixi Moncada, do partido governista Liberdade e Refundação, que serviu como ministra de Defesa e cujo coordenador-geral é o ex-presidente Manuel Zelaya, marido e conselheiro principal do atual presidente; Nasry Asfura, do Partido Nacional, a primeira força de oposição; e Salvador Nasralla, do Partido Liberal, a segunda.
Na véspera do pleito, Trump anunciou seu apoio ao candidato conservador do Partido Nacional, que agora entra nas eleições fortalecidas politicamente. O líder da Casa Branca pediu aos hondurenhos que votassem nele, ao mesmo tempo em que classificou Rixi Moncada e Salvador Nasralla como “comunistas”.
O conservador Asfura é o “único verdadeiro amigo da liberdade em Honduras”, disse Trump, acrescentando que eles poderiam “trabalhar juntos para combater os narcocomunistas”, já que ele é quem defende a democracia e “luta contra” o ditador venezuelano, Nicolás Maduro.
“Será que Maduro e seus narcoterroristas tomarão o controle de outro país, como fizeram com Cuba, Nicarágua e Venezuela?”, alertou Trump, ressaltando a importância destas eleições em Honduras, antes de começar os investidores a apoiarem Asfura.
O presidente de Honduras, a esquerdista Xiomara Castro, é vista como aliada de Caracas e já rejeitou publicamente, no passado, como “infundadas” as acusações dos Estados Unidos que apontam Maduro, por quem oferece uma recompensa de 50 milhões de dólares, como um dos líderes da organização narcoterrorista Cartel de los Soles e responsável pelo tráfico de drogas para os Estados Unidos e a Europa.
Quem são os principais candidatos a suceder à esquerdista Xiomara Castro
Natural de Talanga, onde nasceu em 1965, Rixi Moncada é uma defensora aliada de Castro com ampla carreira na vida pública. Ela atuou em três Secretarias de Estado: Trabalho, Finanças e Defesa.
Durante a administração de Manuel Zelaya (2006-2009), quando ambos eram militantes do Partido Liberal de Honduras, foi secretária de Trabalho e Segurança Social e gerente da Empresa Nacional de Energia Elétrica.
No atual governo, Moncada atuou como secretária de Finanças e Defesa. Sua candidatura baseia-se na continuidade do projeto político iniciado pelo atual presidente esquerdista.
Sua proposta de governo envolve estabelecer o “modelo neoliberal”, liderado “por 25 grupos econômicos e dez famílias” que, segundo ela, “se apropriaram de 80%” do PIB. Nesse sentido, Moncada propõe uma reforma tributária para aplicar mais impostos para os mais ricos.
A candidatura de esquerda ainda defende a criação de empresas públicas estratégicas, como uma estatal petrolífera, para explorar os recursos naturais do país. Ela também propôs reformas constitucionais com vistas a uma reforma do Judiciário.
Ó candidato conservador apoiado por Trump, Nasry Asfuranasceu em 1958 na capital hondurenha, Tegucigalpa, e é filho de pais de origem palestina.
Depois de encerrar o ensino secundário num colégio católico, decidiu estudar engenharia e dedicou a maior parte da sua vida como empresário do setor de construção civil.
Em 2013, tornou-se prefeito do Distrito Central, que engloba as capitais Tegucigalpa e Comayagüela. Sua gestão de gestão reduziu projetos de infraestrutura viária, o que lhe rendeu a reeleição em 2017 e o apelido de “Papi, ao seu dispor”.
Asfura tentou se reeleger, mas enfrentou uma reviravolta devido ao desgaste do Partido Nacional por múltiplas denúncias de corrupção e envolvimento com o narcotráfico.
Esta é a sua segunda tentativa de ser eleito presidente, após uma primeira candidatura fracassada em 2021. Agora, o conservador surge como um forte candidato da direita, principalmente após o apoio de Trump.
Suas propostas envolvem investimentos nos setores público-privados e a defesa de uma economia de livre mercado. Ele também propõe o fortalecimento dos órgãos de segurança para combater o crime organizado e o narcotráfico.
Já o terceiro candidato, Salvador Nasrallado Partido Liberal de Honduras, busca pela quarta vez consecutiva chegar ao cargo do presidente do país, com base em uma campanha contra a corrupção.
O engenheiro e apresentador de televisão de 72 anos propõe a criação de uma comissão internacional contra a corrupção em Honduras, que funcionaria com o auxílio de especialistas estrangeiros.
Na economia, o candidato que apresenta propostas de centro-direita defende programas para atrair investimentos estrangeiros, gerar empregos, reduzir a burocracia estatal e modernizar e apoiar pequenas e médias empresas.
Na agenda externa, o apresentador declarou que pressionaria pela saída do ditador Nicolás Maduro, aliado do atual governo, do poder.
Pobreza e corrupção são fatores que influenciam a escolha dos participantes
Os hondurenhos irão às urnas com certo grau de incerteza e crescente descontentamento em relação a problemas como a pobreza, que afeta mais de 60% dos dez milhões de habitantes do país, o desemprego, a insegurança e a corrupção — fatores que, segundas organizações da sociedade civil, corroeram a confiança na classe política.
O tradicional Partido Nacional e o Partido Liberal, ambos com mais de um século de história e experiência em administração pública, estão tentando recuperar a Presidência e a representação parlamentar, apresentando-se como alternativa ao descontentamento popular causado pela situação econômica, pela insegurança e pelos problemas de governança.
Organizações internacionais como as Nações Unidas, a OEA, a UE e organizações de direitos humanos apelaram às autoridades hondurenhas para que garantam a independência e a eficácia do órgão eleitoral e assegurem que o processo decorra com total liberdade e transparência.

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