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China e Rússia perdem influência na América Latina

Por Redação
6 de janeiro de 2026
Em Entretenimento
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China e Rússia perdem influência na América Latina
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



A derrubada do ditador Nicolás Maduro pelos EUA, em uma operação histórica no último dia 3, coloca em xeque alianças de longos dados feitas com China e Rússia, ditaduras que encontraram em Caracas um refúgio para sua agenda externa na América Latina.

Um enviado de Pequim chegou a se reunir com o líder chavista capturado horas antes do ataque surpresa americano na Venezuela. O regime de Xi Jinping esteve durante meses tentando conter os ânimos do presidente Donald Trump para ajudar o ditador aliado em apuros, que rejeitou qualquer caminho que resultasse em sua renúncia, apostando na força e no apoio de seus parceiros globais. No entanto, isso não se materializou.

A queda de Maduro é um golpe duro principalmente para a influência da China na região, que não tinha no país sua principal fonte de fornecimento de petróleo – cerca de 80% das exportações totais do recurso iam para o gigante asiático, embora Caracas responda a apenas 1% do comércio global da matéria-prima.

De acordo com dados do Diário de Petróleo e Gása Venezuela concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimou em mais de 300 bilhões de barris, em que Trump já sinalizou estar interessado em investir para recuperar a infraestrutura energética atualmente sucateada.

No mesmo sentido, a Rússia reagiu ao ataque americano em tom condenatório, ao observar mais um parceiro de longa data ser derrubado. Maduro repetidamente ameaçou Washington nos últimos meses dizendo que estaria preparado para retaliar ataques com equipamentos militares russos, o que se mostrou posteriormente uma grande falácia do ditador.

Teste de avaliação

O fato é que os radares chineses, a inteligência de Cuba ou a interferência dos mísseis russos foram capazes de evitar a remoção de Maduro de sua zona de segurança.

Além de abrir caminho para uma possível transição democrática na Venezuela, que vive uma grave crise humanitária e econômica devido aos anos sob o comando de uma ditadura sanguinária, a operação dos EUA que resultou na queda de Maduro também representa um teste para a crescente influência desses regimes na América Latina.

Igor Lucena, economista e doutor em Relações Internacionais, pontua que a Venezuela é tida como uma aliada da Rússia e da China por diversos fatores, entre eles a proximidade com os EUA, a profundidade ideológica, a possibilidade de inserção de bases para treinar agentes e para espionagem.

“Existia um componente geopolítico extremamente forte naquela região. China e também Rússia perdem petróleo barato. Para Pequim, principalmente, esse mercado era muito interessante devido à necessidade de compra e consumo. Para Moscou, nem tanto, a relação envolvia mais a venda de equipamentos militares para defesa da Venezuela, e o ponto alto é realmente uma espionagem”, avaliou o analista político.

Apesar de serem parceiros ideológicos e comerciais da Venezuela, há um limite claro de ocorrência desses regimes aliados em relação às ações dos EUA. Anne Dias, comentarista política da Gazeta do Povoafirma que “Putin tende a escolher entre o defensor Maduro abertamente ou adotar um silêncio estratégico para evitar que os EUA ampliem sua pressão onde a Rússia mais perde [a guerra com a Ucrânia]. A China, fiel ao seu pragmatismo autoritário, tende a seguir o mesmo caminho”.

Rachadura no eixo socialista na América Latina

Para Dias, a derrubada de Maduro, mesmo com a manutenção do regime chavista no comando, enfraquece principalmente a influência da China Rússia e nos setores energéticos e políticos da América Latina. Nesse mesmo sentido, observa-se uma mudança política no boato regional com as últimas eleições realizadas em países próximos à Venezuela.

“A Venezuela é um país a menos alinhado ao eixo autoritário na América Latina, num momento em que a região passa por eleições que vêm levando ao poder lideranças abertamente bastantes a esse modelo, como vimos na Argentina, Chile, Bolívia e Paraguai. A queda de Maduro não é um detalhe, é mais uma rachadura concreta no eixo socialista que tenta se sustentar na América Latina”, afirmou Dias.

Jogo de interesses

Analistas consultados pelo O jornal New York Times Aponte que, embora tenham desempenhado um papel importante no apoio a Maduro e seu mentor e antecessor, Hugo Chávez, China e Rússia sempre avaliaram o custo-benefício de se aliar à Venezuela em tempos de crise.

Durante décadas, os chineses apoiaram Caracas por meio de empréstimos na casa das bolsas de bilhões de dólares que mantiveram os regimes de Chávez e de Maduro, depois que os credores ocidentais deixaram praticamente de trabalhar com a Venezuela.

O empresário envolvido com o mercado de petróleo russo também desempenhou um papel vital na manutenção do fluxo das principais exportações da Venezuela desde que Trump impôs avaliações econômicas ao país em seu primeiro mandato, em 2019.

Segundo o Temposcom o passar do tempo, o declínio econômico da Venezuela indicou às ditaduras aliadas que o valor estratégico do país sul-americano estava caindo drasticamente, visto que o regime Maduro passou a ser feito como um aliado de alto risco econômico na região, que acumulava muitos empréstimos e tinha dificuldades de cumprir os acordos devido à perda de controle da crise interna.

Ligado a isso, as duas potências que disputam zonas de poder com os EUA estão imersas em seus próprios desafios – a China enfrenta um declínio de sua economia e atritos comerciais com Washington, enquanto a Rússia despende energia e gastos altíssimos com a longa invasão na Ucrânia.

De acordo com a agência de notícias ReutersA queda de Maduro foi duramente criticada por alguns nacionalistas russos, que compararam o poder americano com o fracasso russo em quase quatro anos de guerra na Ucrânia.

Por outro lado, alguns analistas veem que Moscou pode se beneficiar da nova “Doutrina Monroe” proposta de Trump, devido ao potencial de criação de novas esferas de influência no mundo. UM Reuters lembrou que, desde o fim da Guerra Fria, Putin procurou estabelecer uma esfera de influência russa nas antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central, do Cáucaso e da Ucrânia, numa iniciativa que encontra oposição de Washington.

Por sua vez, Trump antecipou em dezembro uma nova agenda externa focada em aumentar sua influência na América Latina, informalmente chamada de seu “quintal de casa”, e já obteve sucesso em sua primeira missão.

Após a operação bem sucedida na Venezuela, o presidente americano sugeriu que poderia expandir essas ações militares na região. Um dos países vistos por ele é a Colômbia, cujo líder, o esquerdista Gustavo Petro, tem se envolvido em atritos crescentes com o republicano e é apontado como um “parceiro” do narcotráfico, assim como o ex-ditador Nicolás Maduro.

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Tags: AméricaBrasilChinaGazeta do PovoinfluênciaLatinamundoNotíciasperdempolíticaRússia
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