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Cessar-fogo comprova “relação especial” de Trump com o Catar

Por Redação
11 de outubro de 2025
Em Entretenimento
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Cessar-fogo comprova “relação especial” de Trump com o Catar
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



Uma mistura de otimismo e preocupação tomou conta do mundo nesta semana com o tão aguardado acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, que entrou em vigor nesta sexta-feira (10). No entanto, toda a euforia da trégua minimizou um movimento geopolítico que ocorre há meses: uma influência cada vez maior do Catar sobre os Estados Unidos.

Dois episódios recentes evidenciaram isso: o pedido de desculpas imposto ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pelo ataque em setembro a Doha – algo que possivelmente foi constrangedor para a autoridade israelense – e a assinatura de uma ordem executiva pelo presidente americano, Donald Trump, que garanta a segurança do Catar contra qualquer agressão. O documento diz que qualquer ataque ao país será considerado um ataque aos Estados Unidos, o que lembra o artigo 5 do tratado da Otan, de defesa mútua.

Doha tornou-se o principal abrigo do Hamas no Oriente Médio, especialmente depois dos ataques terroristas de 7 de outubro de 2023, quando Israel iniciou suas operações militares na Faixa de Gaza. Muitos terroristas encontraram no país um refúgio contra a pressão militar de Israel. Os fortes laços com o Irã também estão presentes no histórico do Estado Catari.

Essa crescente aproximação do governo Trump com o Catar, apesar das expressas declarações da Casa Branca ao terrorismo e dos atritos com o regime de Teerã, mostra que o governo de Doha mantém uma forte influência na política do republicano para o Oriente Médio e pode frear alguns interesses de Israel na região.

Ksenia Svetlova, diretora executiva da Organização Regional pela Paz, Economia e Segurança (Ropes) e ex-membro do Parlamento Israelita, foi escalada para um artigo de opinião no jornal Tempos de Israel no mês passado três alianças informais que se formaram no Oriente Médio: o eixo iraniano, que conta com seus braços terroristas como o Hamas e o Hezbollah; o eixo moderado, que inclui Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Jordânia e outros; e o eixo Catar-Turco, apoiador da Irmandade Muçulmana, do Hamas e outros grupos da região.

Svetlova pontua que este último bloco frequentemente se posiciona contra o bloco saudita-egípcio, ao mesmo em que hospedou forças e investimentos dos Estados Unidos.

Trump poderia se aproximar especialmente do segundo eixo, com a Arábia Saudita, visto que mantém negócios no Oriente Médio. No entanto, o primeiro plano apresentado pelo republicano em fevereiro, a “Riviera de Gaza”, gerou atritos com o Egito, um dos mediadores do conflito entre Israel e Hamas – o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi, chegou a cancelar uma viagem a Washington devido à proposta polêmica.

Enquanto tudo isso é acontecia, o catar forte como um país intocado pelo governo Trump em suas críticas e medidas. Em maio, o republicano chegou a visitar Doha, sendo apresentado com um Boeing 747 na ocasião para ser usado como uma aeronave do Air Force One, avião oficial da presidência americana. O Catar também é um dos mediadores do conflito entre Israel e Hamas.

Investimentos em universidades, importância militar e negócios particulares

Uma série de investigações do Departamento de Educação dos Estados Unidos revelou em 2020 mais de US$ 6,6 bilhões em financiamento externo em várias universidades americanas. Um desses investimentos vinha do Catar, mas também foram listados China, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

O relatório do governo americano, feito no primeiro governo de Trump, apontou esse financiamento como um “risco para a segurança nacional” na ocasião. Harvard, Stanford, MIT e outras instituições de elite foram incluídas nesses fundos externos. De acordo com os registros, entre 2012 e 2019, Harvard recebeu cerca de US$ 7 milhões de Doha.

Alguns anos depois, esses ambientes estudantis se tornaram palco de protestos violentos anti-Israel, com casos de antissemitismo surgindo nas universidades americanas.

Além dos investimentos na educação dos Estados Unidos, o Catar também é um importante aliado no setor militar de Washington, mantendo em seu território a maior base americana do Oriente Médio, Al Udeid, alvo de um ataque do Irã neste ano.

Nesta sexta-feira, o governo dos EUA também anunciou a instalação de uma base aérea do Catar em solo americano – a primeira do tipo -, reforçando a cooperação de defesa entre os dois países. Apesar dos laços com o Hamas serem motivo de preocupação para o governo Trump, Doha se tornou um estratégico local para as Forças Armadas Americanas na região.

Em 2017, durante o primeiro mandato, Trump chegou a declarar um boicote ao Catar, dizendo que o país era um claro financiador do terrorismo. No entanto, poucas semanas depois, quando membros do seu governo agiram para evitar o isolamento de Doha – especialmente pela presença da importante base militar – o republicano se ofereceu para mediar uma crise entre o Catar e países vizinhos.

Além do envolvimento político e econômico entre Washington e Doha, familiares de Trump possuem laços empresariais com o Estado Catari, que se pressionaram em financiar projetos imobiliários da família Trump, entre eles o resgate de um imóvel da Kushner Companies, ligado ao gênero do presidente, um acordo extremamente visto como uma influência financeira do país do Oriente Médio na Casa Branca.

Desde o início do segundo mandato, Trump manteve uma relação amigável com o Catar. Em coletiva com Netanyahu, ele elogiou o emir catari, xeque Tamim bin Hamad Al Thani, esperando-o de “homem fantástico” por seu apoio ao plano de paz entre Israel e Hamas.

A riqueza do Catar, portanto, tornou-se sua principal arma de negociação com os Estados Unidos e outras potências mundiais. Trump não condenou a posição do Catar sobre o Hamas, apesar de Doha não ter feito nada durante os dois anos de guerra para lançar o grupo terrorista a se desarmar e devolver os reféns sequestrados em 7 de outubro.

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Tags: arábia sauditaBenjamim NetanyahuCatarcessarfogocomprovadonald trumpespecialEUA - Estados UnidosHamasHarvardiráIsraeloriente médiorelaçãoterrorismoTrump
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