Cantor e rapper Hiran, de 31 anos, critica homofobia na cena do rap: ‘Estou confuso em um vespeiro’. Pedro Ommã O rapper baiano Hiran, de 31 anos, foi alvo de uma “onda” de ataques homofóbicos e ameaças de morte após o lançamento de seu novo álbum, “Imundo”, na última sexta-feira (17). Composto por 13 faixas, o disco levanta discussões sobre a homofobia e xenofobia na cena do rap brasileiro. “A ocorrência violenta de parte do público confirmou tudo o que eu estou denunciando”, disse o cantor ao g1. “Meu assessor avisou que eu estava confundindo um vespeiro, mas não imaginei a proporção. Fui ao meu pai de santo pedir proteção, feche meu corpo. Ainda estou com medo”, completou. Veja entrevista completa abaixo. Homofobia e ameaças de morte Veja os vídeos que estão em alta no g1 As agressões surgiram após a divulgação de sua nova música de trabalho, “Rap Não”, em que o artista enfrenta diretamente a homofobia e o boicote que sofreu no início da carreira: “Tinha pensou em desistir do rap. Mudei meu sonho, mudei meu leque, cantei outras coisas para não sucumbir. Os caras me viam e não me chamavam. Eu sou viado e eles têm medo do burro público que eles cultuam, mas eu sou letrado”, diz trecho da faixa. A ocorrência foi imediata. Segundo o rapper, bastaram dez minutos para que as mensagens de ódio tomassem conta de suas redes sociais. “Minha DM estava cheia de comentários homofóbicos e ameaças de morte, dizendo que o rap não era para pessoas como eu. Encontraram até o Instagram da minha mãe e da minha irmã”, relatou o artista. Texto inicial do plugin Abrigo na MPB Natural de Alagoinhas, a 100 km de Salvador, Hiran iniciou sua trajetória em 2018 com o álbum “Tem Mana no Rap”. O impacto dos seus versos foi imediato, mas em um nicho inesperado: foi abraçado por nomes como Caetano Veloso, Ivete Sangalo e Carlinhos Brown, enquanto, nas palavras dele, “as portas de seu gênero de origem fechadas”. Caetano Veloso ao lado do rapper Hiran e da cantora Majur Redes sociais Hiran recorda que, ao tentar se oferecer para se apresentar em grandes eventos do gênero em 2019, as respostas eram sempre as mesmas: “Que aquelas festas não eram o meu lugar”, diz. “Meu sonho era estar entre os artistas de quem eu era fã de hip hop, mas entendi que eles não aceitariam um rapper falando sobre como é ser LGBT”, desabafa. Texto inicial do plugin Guinada para o pop Diante do “boicote na cena do rap”, Hiran decidiu, então, recalcular a rota em direção ao pop. Com o disco “Anjo” (2020), o artista diz que conseguiu alcançar a estabilidade financeira que tanto sonhava. O projeto levou a fazer apresentações internacionais e conseguiu alcançar duas realizações pessoais: “reformar a casa da minha mãe e ver Beyoncé de perto”, comenta. Hiran ao lado das cantoras Margareth Menezes e Ivete Sangalo Redes sociais “Não tenho vergonha de falar que foi um trabalho meticulosamente pensado para ganhar dinheiro”, revela. Após o sucesso comercial do disco, o cantor chegou a compor nove faixas para um novo álbum, que seria “ainda mais sofisticado”, com arranjos de orquestra. A morte do pai A virada de chave veio com uma perda pessoal: a morte de seu pai, vítima de uma parada cardíaca em agosto de 2025. Hiran estava em turnê quando recebeu a notícia. “Antes de morrer, ele me pediu que eu nunca deixasse de trabalhar pelo que eu acreditasse. E no fundo eu sabia que ainda não tinha superado aqueles traumas do passado. Eu não tinha enfrentado eles [a cena do rap]. Eu simplesmente fugi”, conta. Cantor Hiran em imagens de divulgação Pedro Ommã Ele abandonou a ideia de fazer um álbum “estilo Liniker”, que visava o mercado, para retomar as rimas, lugar onde ele começou como MC, ainda em 2018. “Eu não queria ser um artista preto trancado dentro de um estúdio composto como um empresário branco que só pensa em dinheiro. Resolvi colocar o dedo na ferida. não acionar a Justiça. “Fui no meu pai de santo fechar meu corpo e pedir proteção”, afirmou Para ele, o novo disco é uma espécie de “acerto de contas”. Não tem. É um espaço que está vazio. E eu vou ocupar”, finaliza o artista. Rapper Hiran em imagens de divulgação de seu novo disco, “Imundo”. Pedro Ommã

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