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Ataques do Irã interromperam reaproximação com vizinhos

Redação Por Redação
14 de abril de 2026
Em Entretenimento
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Ataques do Irã interromperam reaproximação com vizinhos
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com


Vizinho de países que são aliados dos Estados Unidos e têm bases americanas nos seus territórios, o Irã é o pário da região do Golfo Pérsico há décadas, e uma reaproximação que vinha se ensaiando nos últimos anos foi interrompida pela atual guerra no Oriente Médio.

Em março de 2023, a Arábia Saudita, principal aliada dos Estados Unidos na região do Golfo e que já havia travado conflitos por procuração com o Irã, como no Iêmen, reatou relações diplomáticas com Teerã após sete anos de ruptura, em negociações intermediadas pela China.

Em novembro de 2024, outro sinal de reaproximação. O primeiro-ministro e príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman (conhecido como MBS), defendeu o Irã, ao afirmar que a comunidade internacional deveria “obrigar Israel a respeitar a soberania do Irã e não atacar territórios [iranianos]” – em referência a um ataque israelense que foi uma resposta a ofensivas diretas iranianas e dos grupos terroristas que Teerã apoia.

Em junho de 2025, em meio a uma guerra de 12 dias entre Israel e o Irã, o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) criticou os ataques israelenses que desencadearam o conflito.

Na sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, o representante do Kuwait, o embaixador Nasser Al Hayen, falou em nome do grupo e alegou que a intervenção israelense representou “uma violação flagrante do direito internacional, da Carta das Nações Unidas e das normas internacionais”.

Porém, a atual guerra no Irã veio – no momento, em um cessar-fogo de duas semanas. No conflito, o regime iraniano bloqueou o estratégico Estreito de Ormuz, por onde os países do Golfo escoam grande parte da sua produção de petróleo, e atacam os países vizinhos. Essas decisões terminaram com a vontade de buscar aproximação com o regime dos aiatolás.

Apesar da alegação iraniana de que visou apenas bases militares dos EUA nos países do Golfo Pérsico e locais para onde militares americanos foram realocados após ataques a essas instalações, houve vários registros de ataques e danos a prédios residenciais, hotéis, aeroportos, embaixadas, portos e instalações de energia no Bahrein, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes, provocando, além de danos econômicos, mortes de cidadãos.

Em março, esses países, ao lado da Jordânia e dos Estados Unidos, divulgaram uma declaração na qual condenaram “veementemente os ataques envolvidos e imprudentes com mísseis e drones” do Irã contra países da região.

“Esses ataques injustificados visaram território soberano, colocaram em risco civis e danificaram infraestruturas civis”, mencionou o comunicado.

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Após a tentativa de reaproximação, MBS aparentemente se levantou do vizinho problemático: os jornais O jornal New York Times e O Guardião Am, citando fontes dos serviços de inteligência sauditas, que antes do cessar-fogo o príncipe herdeiro pediu ao americano, Donald Trump, para que “intensificasse” a guerra informando contra o Irã, já que representaria uma “oportunidade histórica” para remodelar e estabilizar o Oriente Médio.

Na semana passada, após o anúncio da trégua, o governo dos Emirados Árabes afirmou que o Irã deve pagar pelos danos causados ​​pelos ataques do regime de Teerã aos países do Golfo Pérsico durante a guerra.

Em outro sinal de protesto com os iranianos, o Bahrein, que tem um histórico de perseguição a xiitas, ramo majoritário do islamismo no Irã, intensificou essa campanha, ao prender ao menos 280 pessoas nas últimas semanas, entre eles, Hassan Nowrooz, capitão da seleção nacional de basquete do país.

Países do Golfo Pérsico buscam alternativas contra o Irã, destaca analista

Para Sandro Teixeira Moita, professor do programa de pós-graduação em ciências militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), os vizinhos do Irã no Golfo Pérsico reagem após os ataques iranianos terem acabado com a percepção de que eram países seguros e que a região era estável – preocupação que aumenta com a perspectiva de cobrança de pedágio dos navios que passam por Ormuz, necessariamente por Teerã.

“A percepção dos países do Golfo sempre foi que o Irã era um vizinho difícil, mas era um vizinho com o qual se podia lidar. Quando o Irã começa a atacar, essa visão muda”, disse Teixeira Moita.

“Eles falam ao Irã que não têm nada a ver [com a disputa com EUA e Israel]que não atacaram o Irã, mas os iranianos entendem que esses países abrigaram os americanos que estão atacando [o regime]então, vamos pagar o preço”, afirmou o analista.

O economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena disse que, diante das hipóteses “muito distantes” de uma mudança de regime ou de que esta seja comandada por agentes menos radicais e que desejam dialogar com os Estados Unidos, os vizinhos do Golfo Pérsico devem buscar alternativas para ficarem menos expostos à chantagem econômica em Ormuz e às agressões iranianas.

“A proteção dos Estados Unidos na região está fragilizada. Se os países do Golfo acharam que os Estados Unidos tinham capacidade de proteger todos esses agentes, eles não acreditam mais isso, tanto que estão avançando em negociações [na área de defesa] com outros países, como a Turquia e a China. A ideia é que é preciso mais proteção do que os Estados Unidos oferecem”, afirmou.

Na esfera económica, a guerra reavivou debates para expandir gasodutos e óleos e “até sobre a possibilidade de fazer um canal para que os navios possam contornar o Estreito de Ormuz, entrando pelos Emirados Árabes”, destacou Lucena. “Há uma desconfiança muito grande em relação ao Irã, que dificilmente será resolvida de uma maneira rápida”, afirmou.

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Tags: arábia sauditaataquesdonald trumpEUA - Estados UnidosinterromperamiráIsraeloriente médioreaproximaçãovizinhos
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