A ONG Anistia Internacional publicou nesta segunda-feira (29) um relatório apontando que pessoas que viajam para a Arábia Saudita estão sendo presas e condenadas pela Justiça local devido a postagens que fizeram nas redes sociais, incluindo postagens publicadas antes de entrarem no país árabe.
Em nota, a Anistia Internacional informou que sua investigação, realizada em parceria com a ONG saudita ALQST, acordos os casos de nove pessoas que foram presas na Arábia Saudita durante viagens realizadas entre julho de 2022 e o final de 2025.
Quatro desses viajantes foram ao país árabe para as peregrinações do Hajj e da Umra, para a cidade sagrada de Meca, e as outras cinco viajaram ao território saudita a turismo ou para visitar familiares.
“Enquanto a Arábia Saudita se posiciona como um destino turístico internacional e investe pesadamente no setor como parte do seu plano Visão 2030, o país simultaneamente prende e condena os visitantes a longas penas de prisão simplesmente por exercerem o seu direito à liberdade de expressão”, afirmou Bissan Fakih, ativista da Anistia Internacional para a região do Oriente Médio e Norte da África, no comunicado.
A Visão 2030 é um plano que está a ser implementado pelo governo saudita para diversificar a economia do país e depender menos das receitas do petróleo – o turismo é um dos principais eixos do programa. A Arábia Saudita será sede da Copa do Mundo de 2034.
Entre os casos denunciados pela Anistia Internacional e pela ALQST, estão o cidadão britânico Ahmed al-Doush, que está cumprindo uma pena de cinco anos de prisão por acusação no uso de redes sociais francesas, e Amr Abdelfattah, cidadão preso desde junho de 2024 por acusações de que suas manifestações online constituíram “insulto ao governo” e “elogio a indivíduos acusados”.
As duas ONGs denunciaram que, em alguns casos, detidos que não sabiam falar árabe foram forçados a substituir documentos sem entender seu conteúdo; negativas de acesso a representação jurídica, visitas de familiares e acompanhamento consular; e que detidos foram submetidos a espancamentos dentro das prisões sauditas. O governo local ainda não se pronunciou sobre o relatório.

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