Brian Johnson e Angus Young em show do AC/DC, em São Paulo, em 2026 MRossi/Live Nation Brasil Para cerca de 70 mil pessoas que aguardaram mais de 16 anos para lotar o show de retorno do AC/DC ao Brasil, nesta terça-feira (24), a espera valeu a espera. Mesmo com apenas dois dos membros da formação clássica, a primeira das três apresentações no país até o próximo dia 4 de março não deixou dúvidas aos fãs no MorumBIS de que esta é uma das maiores bandas do gênero em atividade. Comandado pela guitarra energética ainda de um Angus Young agora com 70 anos, o grupo formado em 1973 elencou clássicos desde os primeiros minutos, pirotecnias e os famosos pulinhos, paletó (hoje verde, com direito a boné verde e amarelo) e bermudinha de seu líder. Por seu lado, o vocalista Brian Johnson provou que ainda segura os refrões estridentes mesmo aos 78 anos. Recuperado de um problema de audição que o levou da banda por um tempo, em que Axl Rose assumiu o cargo, ele compensou a perda de potência vocal com uma alegria genuína de quem ama estar no palco. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Para se apresentar para um público cuja maioria com certeza tinha idade suficiente para ter assistido ao show único de 2009 no mesmo estádio, a dupla contorno com três “novidades”. Além de Stevie Young, que assinou a guitarra de Malcolm Young (1953-2017) quando o tio se aposentou da banda em 2014, o baixista Chris Chaney e o baterista Matt Laug assumiram os lugares dos aposentados Cliff Williams e Phil Rudd. Pouca gracinha e muitos sucessos Apesar de batizar a turnê de “Power up”, nome do disco mais recente de 2020, apenas duas músicas do álbum fizeram parte do setlist. Com isso, pauladas como “Back in black” – da obra de mesmo nome, segundo disco mais vendido da história – deram as caras logo cedo. Para ser mais específico, o grande sucesso apareceu quase colado com a música de abertura, “If you want blood (you got it)”. Nos primeiros versos, já ficou claro que, se a voz de Johnson já não era mais a mesma, os fãs se cobravam de cantar o tempo inteiro juntos. Entre as duas, o cantor encontrou tempo para uma das interações com o público, já que o AC/DC não é muito afeito a essas coisas. “Gracias”, disse o vocalista, meio confuso com o começo de sua primeira apresentação na perna da turnê pela América Latina. Angus Young em show do AC/DC, em São Paulo, em 2026 MRossi/Live Nation Brasil O paletó se foi pouco depois, para as pancadas de “Thunderstruck” – em meio a gritos de “olê olê olê. AC. DC” da plateia. Em resposta ao riff e ao coro clássico, os fãs pularam como se tivessem sido atingidos pelo trovão do clássico. O badalar dos sinos, que já sinalizou uma interação direta do vocalista com o sino gigante que descia sobre o palco, hoje foi apenas um aviso de “Hell’s bells” – mais um ritual antigo da banda, atualizado para dias menos jovens. No fim, o sorriso sincero de Johnson compensou a falta de malabarismos de alguém que já se pendurou no acessório. Não que tenha feito muita falta. Para um show recheado com os sucessos de mais de cinco décadas de carreira, a maior evidência da vinha pública com os pulinhos de Angus. Em certo momento, alguém mostrou para uma companheira incrédula que aquele senhor de cabeleira branca tinha 70 anos. Já sem o paletó, o guitarrista apareceu no palco, com fogo ao fundo, de chifrinhos na cabeça para “Highway to hell”. Em “Sin City”, lá se foi um gravata do homem, usado como arco para tocar a guitarra. Matt Laug, Brian Johnson, Angus Young e Chris Chaney em show do AC/DC, em São Paulo, em 2026 MRossi/Live Nation Brasil Canhões e reverência Quando a energia de uma plateia já de certa idade ameaçava cair, a sequência de “Jailbreak” e “Dirty deeds done dirt cheap” trouxe todo o mundo de volta – graças, em grande parte, à força da bateria de Laug. Um monstruoso. Em “Whole lotta Rosie”, outra adaptação do ritual viu a boneca clássica que era enchida no palco ser substituída por uma versão virtual, apenas nos telões. As diversas rodinhas na plateia nem perceberam a trocas. De certa forma, era difícil não considerar a beleza em um monte de marmanjo, que pouco antes se empurrava e se chutava durante “Let there be rock”, abrindo espaço para um garotinho e jogá-lo para cima – para aplausos gerais. O solo de mais de dez minutos de Angus, com direito a subida na plataforma elevada e passeio pela sacada do palco, quase calou os fãs. O silêncio como reverência a um dos maiores que já existiram ainda com total controle de seus dons. Depois de outra paulada com “TNT”, o adeus aconteceu como tem acontecido invariavelmente desde 1982, com os canhões – sério, tinham canhões no palco – de “For they about to rock (we salute you)”. Não deixa de ser irônico que o provável adeus nesta última passagem pelo Brasil tenha sido uma saudação daquelas que, como diz a letra, estavam prestes a “fazer o rock”. Mas, para quem esteve no estádio, o rock não precisa fazer sentido. Aí estão Angus e Johnson, com seus mais de 70 anos, para provar isso. Angus Young em show do AC/DC, em São Paulo, em 2026 MRossi/Live Nation Brasil O setlist ‘If You Want Blood (You’ve Got It)’ ‘Back in Black’ ‘Demon Fire’ ‘Shot Down in Flames’ ‘Thunderstruck’ ‘Have a Drink on Me’ ‘Hells Bells’ ‘Shot in the Dark’ ‘Stiff Upper Lip’ ‘Highway to Hell’ ‘Shoot to Thrill’ ‘Sin City’ ‘Jailbreak’ ‘Dirty Deeds Done Dirt Cheap’ ‘High Voltage’ ‘Riff Raff’ ‘You Shook Me All Night Long’ ‘Whole Lotta Rosie’ ‘Let There Be Rock’ Bis: ‘TNT’ ‘Para aqueles que estão prestes a fazer rock (nós saudamos você)’

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