Com aprovação em queda, o ditador da Rússia, Vladimir Putin, passou a pressão estatal e veículos alinhados ao Kremlin para reduzir a cobertura feita sobre novas proibições, restrições e multas impostas no país. Segundo o portal independente Medusao Kremlin planejou que os jornalistas desses veículos evitassem ao máximo o uso da palavra “proibição” em reportagens e manchetes.
De acordo com o Meduza, a orientação foi feita em meio ao crescente desgaste causado à imagem de Putin devido aos bloqueios de internet e outras medidas restritivas impostas pelas autoridades russas nos últimos meses.
A mensagem repassada aos jornalistas, segunda duas fontes ouvidas pelo portal, era “escrever menos” sobre temas ligados a “proibições, restrições e multas”. O Kremlin também recomendou evitar o uso da palavra “proibição” em títulos de materiais, permitindo a utilização do termo apenas em casos de retirada de alguma medida restritiva, algo que, segundo os relatos, não aconteceu até agora.
O Kremlin tenta conter assim a insatisfação popular provocada principalmente pelos bloqueios de internet registrados em diversas regiões da Rússia. Em São Petersburgo, por exemplo, moradores recorrentes de internet por até três dias consecutivos. Além disso, as autoridades russas recentemente proibiram o ataque às consequências dos ataques de drones na Ucrânia, na medida em que vem sendo ignorado por parte da população.
Um jornalista russo disse ao Meduza, de forma anônima, que a ordem tem criadas diversas dificuldades, até mesmo para escrever sobre a divulgação de decisões oficiais de governos locais.
Alguns veículos pró-Kremlin já foram adaptados à linguagem utilizada nas reportagens, atualizando a palavra “proibição” por termos como “restrição” e “limitação”.
A medida ocorre perto da realização das eleições legislativas russas de setembro. Segundo o Meduza, o Kremlin tenta neste momento reduzir todo o custo o desgaste do partido governista Rússia Unida, que sustenta o regime no Parlamento. A legenda, principal base política de Putin, aparece com intenção de voto próximo de 30%.
Partidos da oposição permitida, associações empresariais, jovens e até blogueiros militares passaram a criticar abertamente os bloqueios de internet e de aplicativos de mensagens como Whatsapp e Telegram e a redução da velocidade das redes sociais, medidas que se intensificaram nos últimos meses.

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