
A China tem um plano para a Nicarágua: transformar o país centro-americano em uma referência de transporte público na América Latina nos próximos anos.
Para isso, desde 2023, Pequim inveja ao país, que vive sob o regime de Daniel Ortega, mais de 2.280 autocarros da marca Yutong, equipados com ar condicionado, Wi-Fi, GPS em tempo real e sistema automatizado de cobrança de tarifas. O lote mais recente, de 180 micro-ônibus, foi entregue em fevereiro deste ano em cerimônia em Manágua. Outros 420 ainda estão por vir, o que aumentará a contribuição chinesa para 600 unidades para a Nicarágua apenas neste ciclo de entregas.
No total, contando também as ações anteriores feitas ao regime de Ortega pela Rússia e pelo México, a Nicarágua já acumulou uma frota de 4.610 ônibus e micro-ônibus desde que o regime sandinista de Ortega retornou e se apossou do país, em 2007. Antes disso, o país operava com veículos velhos comprados pelos próprios transportadores, sem qualquer apoio estatal.
A relação do regime comunista da China com a Nicarágua mudou de rumo em 2021, quando a ditadura de Ortega rompeu relações que mantinha com Taiwan e restabeleceu laços diplomáticos com Pequim. Desde então, os investimentos e ações feitas pela China, especialmente na infraestrutura da Nicarágua, passaram a ser vistos por analistas como parte da estratégia chinesa para ampliar sua influência na América Latina.
O momento dessa transformação, porém, é delicado. A Nicarágua está neste momento na mira das pressões dos Estados Unidos, de Donald Trump, que faz avaliações contra o regime de Ortega e observa com crescente desconforto o aprofundamento dos laços entre Manágua e Pequim. Para Washington, a presença chinesa cada vez mais consolidada no “quintal americano” é um sinal de alerta.













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