
Djavan e Gaby Amarantos posam com os dois troféus conquistados no 33º Prêmio da Música Brasileira Reprodução Instagram Djavan e Gaby Amarantos / Montagem g1 ♫ ANÁLISE ♬ É cada vez mais inglória a tarefa de eleger os melhores lançamentos fonográficos e artistas em um cada vez mais volátil mercado musical que a cada semana lança milhões de álbuns, EPs e singles nos players digitais. Diante desse quadro desanimador pela impossibilidade de ouvir e avaliar tudo e todos, o júri da 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira – um conjunto heterogêneo de jornalistas, artistas e profissionais atuantes na indústria fonográfica do qual o colunista e crítico musical do g1 faz parte há alguns anos – chegou a um resultado importante. Em geral, os artistas premiados na cerimônia realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro na noite de ontem, 10 de junho, de fato sobressaíram nas respectivas categorias a que concordaram. Quem tem que negar que, nos segmentos da axé music, Daniela Mercury mereceu o troféu de Melhor Lançamento por “Cirandaia” (2025), álbum que reiterou a relevância da artista baiana no universo da música afro-brasileira? Ainda no segmento, estrear o Olodum como Melhor Artista foi como atestar a importância fundamental e perene desse grupo afro no universo cultural de Salvador (BA). Da mesma forma, o júri somente fez justiça ao ponteiro Gaby Amarantos como a vencedora na categoria Projeto audiovisual por “Rock doido”, álbum-filme antológico que elevou o status da artista paraense no universo pop por captar a energia festiva das atrações realizadas em Belém (PA). Na categoria MPB, Djavan foi duplamente vencedor como Melhor Artista e Melhor Lançamento pelo álbum “Improviso”, lançado em novembro. Se o álbum não se impõe entre os mais coesos da discografia do cantor, o troféu de Melhor Artista de MPB se afina com o momento em que Djavan arrasta multidões para arenas e estádios com o show da turnê em que comemora 50 anos de sucesso de obra tão sofisticada e ao mesmo tempo tão popular. Acontece com Djavan o que já veio acontecendo com Alcione, comemorado nos últimos anos como entidade do samba. Daí o troféu de Melhor Artista para o Marrom na categoria, ainda que o último álbum da cantora, “Alcione” (2025), seja um dos menos relevantes da obra da maranhense. Mas cabe ressaltar que, na área do samba, o júri foi bastante injusto ao sequer indicar Mosquito (pelo álbum “Quinhão”) e a dupla Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta (pelo álbum “Bicudos dois”). Ambos lançaram discotecas excelentes. Na categoria Rock, o grupo mineiro Black Pantera mereceu o prêmio de Melhor Artista pelo conjunto da obra ativista que vem furando bolhas no mundo da música. No segmento sertanejo, o júri foi conservador ao laurear a dupla Chitãozinho & Xororó com dois prêmios, o de Artista e o de Lançamento. É certo que os irmãos vivem bom momento e merecem ser louvados pela longevidade e coerência observadas nos 56 anos de carreira, mas Ana Castela é o nome que de fato mais movimenta o agropop. Merecia ter levado ao menos um prêmio. Da mesma forma, Lenine foi injustiçado. Concorreu a três troféus com o álbum e filme “Eita” (2025), mas saiu de mãos vazias. No caso, o erro talvez tenha sido enquadrado “Eita” na categoria genérica Pop – segmento em que a dupla vitória da cantora e compositora Luedji Luna foi legítimo e merecida – e não no segmento da MPB, mais adequado para o disco e filme de Lenine. Se assim tivesse sido, “Eita” poderia ter sido laureado como o melhor álbum de MPB. Na categoria Instrumental, houve dupla justiça. Ainda que seja vencedor recorrente na categoria, Hamilton de Holanda vive momento luminoso como instrumentista e mereceu o troféu de Melhor Artista. Da mesma forma, o violonista João Camarero brilhou com o EP em que revisita o repertório do antecessor Baden Powell (1937 – 2000). Se o cantor Fitti foi de fato uma Revelação da música brasileira, pelo show performático em que interpreta o repertório de Ney Matogrosso, o trio João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho foi mesmo o arquiteto do projeto mais especial de 2025 com o álbum e a banda “Dominguinho”. E aqui cabe ressaltar que o forrozeiro João Gomes foi o duplo vencedor da sempre indefinida categoria Canção Popular. Já o violonista Gabriele Leite era nome certo na categoria Erudito pelo virtuosismo exponencial apresentado no segundo álbum do instrumentista, “Gununcho”. E justiça também foi feita na categoria Rap com BK levando o prêmio de Melhor Artista e o Don L sendo laureado com o troféu de Melhor Lançamento pelo aclamado álbum “Caro vapor II – Qual a forma de pagamento?”. Enfim, houve ausências? Claro que sim, e elas são inevitáveis diante do intenso volume de lançamentos. Houve injustiças na hora de premir os indicados? Uma ou outra. Contudo, é justo, é muito justo, é justíssimo apontado o alto índice de acertos na distribuição dos troféus da 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira. Péricles (Melhor Lançamento) e Alcione (Melhor Artista) são os vencedores da categoria Samba no 33º Prêmio da Música Brasileira Divulgação ♪ Eis a lista de vencedores do 33º Prêmio da Música Brasileira em ano pontuado por show em homenagem a Cazuza (1958 – 1990) com elenco que incluía Chico Chico, Ludmilla, Luedji Luna, Marina Sena, Ney Matogrosso, Seu Jorge, Simone e Zizi Possi, entre outros nomes: ♪ AXÉ MELHOR ARTISTA – Olodum MELHOR LANÇAMENTO – Daniela Mercury – Cirandaia (Produzido por: Daniela Mercury, Juliano Valle, Gabriel Mercury) ♪ CANÇÃO POPULAR MELHOR ARTISTA – João Gomes MELHOR LANÇAMENTO – João Gomes – Pé de Serrita (Produzido por: João Gomes, Daniel Mendes, Mestrinho) ♪ ELETRÔNICO MELHOR LANÇAMENTO – Africanoise – Cabaça (Produzido por: Africanoise) ♪ LÍNGUA ESTRANGEIRA MELHOR LANÇAMENTO – Silvia Machete – Rhonda’s Boots & Legs (Live) (Produzido por: Lalo Brusco) ♪ ERUDITO MELHOR LANÇAMENTO – Gabriele Leite – Gunûncho (Produzido por: Erika Ribeiro) ♪ PROJETO ESPECIAL MELHOR LANÇAMENTO – João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho – Dominguinho (Produzido por: Daniel Mendes, João Gomes, Jota.Pê, Mestrinho) ♪ FUNK MELHOR ARTISTA – Deize Tigrona MELHOR LANÇAMENTO – Totonho e os Cabra – Aí Dentu: Funk de Embolada e Hip Hop do Mato (Produzido por: André Abujamra, Renato Oliveira, Marcelo Macedo, Furmiga Dub, Rica Amabis) ♪ INSTRUMENTAL MELHOR ARTISTA – Hamilton de Holanda MELHOR LANÇAMENTO – João Camarero – Baden (Produzido por: Alexandre Fontanetti) ♪ MPB MELHOR ARTISTA – Djavan MELHOR LANÇAMENTO – Djavan – Improviso (Produzido por: Djavan) ♪ POP MELHOR ARTISTA – Luedji Luna MELHOR LANÇAMENTO – Luedji Luna – Antes que a terra acabe (Produzido por: Fejuca, Kato Change, Zudizilla, Lucas Cirillo, Duda Raup, Iuri Rio Branco, Toty S’amed, Luedji Luna) ♪ RAÍZES MELHOR ARTISTA – Mestrinho MELHOR LANÇAMENTO – Orquestra Malassombro – Recife, Início, Meio e Fim (Produzido por: Rafael Marques) ♪ RAP / TRAP MELHOR ARTISTA – BK MELHOR LANÇAMENTO – Don L – CARO Vapor II – qual a forma de pagamento? (Produzido por: Don L, Iuri Rio Branco, Nave) ♪ REGGAE MELHOR ARTISTA – Maneva MELHOR LANÇAMENTO – Bia Ferreira, Little Lion Sound – O seu silêncio (Produzido por: Little Lion Sound, Irie Yute) ♪ REVELAÇÃO Fitti ♪ PROJETO AUDIOVISUAL Gaby Amarantos – Rock doido (Dirigido por: Guilherme Takshy, Naré, Gaby Amarantos) ♪ ROCK MELHOR ARTISTA – Black Pantera MELHOR LANÇAMENTO – Terno Rei – Nenhuma eEstrela (Produzido por: Gustavo Schirmer) ♪ SAMBA MELHOR ARTISTA – Alcione MELHOR LANÇAMENTO – Péricles – Pagode do Pericão (Ao Vivo Em São Paulo) (Produzido por: Izaías Marcelo) ♪ SERTANEJO MELHOR ARTISTA – Chitãozinho & Xororó MELHOR LANÇAMENTO – Chitãozinho & Xororó – Meninos de roça (Produzido por: Cláudio Paladini)
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