Eleições presidenciais desde 1989 foram marcadas pelo lulismo



As 10 eleições presidenciais realizadas no país desde a Constituição de 1988, incluindo a de outubro próximo, foram marcadas pela presença, direta e indiretamente, de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tal aspecto contribuiu para o profundo esgarçamento do jogo político e do equilíbrio institucional.

Ao longo desse período, Lula obteve o primeiro ou o segundo lugar em todas as disputas, seja como candidato, presidente em busca de reeleição ou cabo eleitoral do PT e seu representante. Sua centralidade e populismo não têm um conflito constante entre lulismo e antilulismo, o que mostra fadiga.

A lógica da alternância de poder parecia fazer sentido até a primeira eleição de Lula, em 2002, mas cedeu logo à polarização em torno de sua polêmica figura, reordenando partidos, alianças, atores e estratégias eleitorais, tudo em razão de sua presença ou não no pleito. Ele e o jogo envelheceram.

Sob essa perspectiva, consolida-se um ambiente político em que decisões judiciais, interpretações constitucionais, aspectos parlamentares e até viradas eleitorais passaram a ser vistas pelo impacto que produziriam sobre o futuro do petista. O debate público foi sequestrado pelo personalismo.