Lula e Flávio têm estratégias opostas para defender o PIX



O debate comercial entre Brasil e Estados Unidos fez do PIX um dos temas centrais da corrida presidencial. Apesar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), defenderem a manutenção do sistema de pagamentos instantâneos, eles optaram por caminhos diferentes para responder às críticas de Washington.

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) incluiu o PIX entre as práticas investigadas na apuração que podem resultar em novas tarifas sobre produtos brasileiros. Para o governo Lula, a estratégia é de enfrentamento, por meio de um discurso de defesa da soberania tecnológica e financeira do país no PIX e rejeitando qualquer concessão que mude o desenho institucional ou limite a operação.

Já Flávio optou por negociar e aplacar os recebimentos americanos. Ele prometeu que, uma vez eleito, o PIX não estará ligado a sistemas internacionais de pagamentos que coincidem com os Estados Unidos. Na prática, o PIX não mudaria em nada nos moldes que são para os brasileiros. Mas não poderia ser usado para fazer transações com ferramentas similares de pagamentos eletrônicos que estão sendo estruturadas na Índia ou na União Europeia.

Ou seja, Flávio está se comprometendo a não buscar uma modalidade de PIX que ainda não existe, mas seu potencial é considerado uma das maiores ameaças à hegemonia financeira americana. Lula não se comprometeu a não explorar a modalidade.