
O governo da Bolívia anunciou nesta quinta-feira (9) que a Petrobras ajudará na restrição da estatal petrolífera boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), que as autoridades do país andino buscam transformar em uma empresa “eficiente”.
O ministro boliviano de Hidrocarbonetos e Energia, Marcelo Blanco, explicou à imprensa que o assunto foi discutido em reunião realizada no dia anterior com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, no Rio de Janeiro.
“A Petrobras está disposta a colaborar conosco na reestruturação da YPFB. Conversamos com eles sobre a reestruturação e, com base em sua experiência anterior com crises semelhantes, eles estão interessados em nos ajudar de todas as formas, utilizando sua vasta experiência em todas as áreas”, disse Blanco na ocasião.
O ministro afirmou que a reunião resultou em um acordo para a criação de grupos de trabalho técnicos a partir da próxima semana para estudar o potencial retorno da Petrobras a toda a cadeia de valor dos hidrocarbonetos na Bolívia, e afirmou estar “muito satisfeito” com o resultado da reunião.
“O objetivo é que eles retomem a produção e o desenvolvimento aqui na Bolívia e que haja uma parceria estratégica, como devemos ter com todos os investidores. No entanto, no caso da Petrobras, existe uma relação especial por se tratar de um país vizinho com uma longa ligação com a Bolívia”, acrescentou.
As negociações para aumentar o volume de gás natural extraído pela Petrobras na Bolívia e para contribuições as exportações de combustível para o Brasil aconteceram em janeiro passado, durante uma visita oficial do presidente boliviano Rodrigo Paz a Brasília.
A Petrobras, que já foi responsável por 60% da produção de gás natural da Bolívia, opera atualmente com 25% da produção total do país.
A economia boliviana foi sustentada até alguns anos atrás pelas vendas de gás, principalmente para o Brasil e a Argentina, mas a produção diminuída e as exportações de hidrocarboneto para o mercado argentino cessaram em setembro de 2024.
Após a retirada do subsídio aos combustíveis, que vigorou há mais de duas décadas, em dezembro passado, a YPFB distribuiu gasolina de qualidade inferior no início deste ano, provocando protestos dos consumidores e forçando as autoridades a estabelecer um sistema de indenização por danos a veículos.
Além disso, os problemas de abastecimento de combustível ressurgiram nas últimas semanas, o que o governo atribuiu aos bloqueios de estradas ocorridos entre maio e junho, aos protestos contra a escassez e a má qualidade do combustível.
A empresa estatal trocou de presidente três vezes entre novembro e abril, e o governo declarou sua intenção de tornar a YPFB “eficiente” após duas décadas em que, segundo as autoridades atuais, foi politicamente controlado pelos governos de Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025).
A Petrobras foi demandada sobre o assunto pela Gazeta do Povo. O espaço segue aberto para futuras manifestações.













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