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Uso de jatinhos justificam investigação contra Moraes e Toffoli

Redação Por Redação
2 de abril de 2026
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Uso de jatinhos justificam investigação contra Moraes e Toffoli
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



A revelação de que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli utilizaram aeronaves vinculadas a empresas de Daniel Vorcaro, conforme documentos obtidos pela Folha de S.Pauloabriram uma nova frente de questionamentos jurídicos e éticos sobre a relação entre autoridades públicas e agentes privados sob investigação.

Embora não haja, até o momento, comprovação de crime, advogados ouvidos pela Gazeta do Povo apontar que a situação pode suscitar dúvidas sobre eventual conflito de interesses e, em cenário mais extremo, levantar hipóteses sobre o uso indireto de recursos de origem ilícita. Além disso, são unânimes em apontar que há necessidade de abertura de uma investigação.

Os voos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes, segunda reportagem da Folha de S.Pauloforam contratados pelo escritório de advocacia Barci de Moraes, da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

O fato das agências serem associadas às empresas de Daniel Vorcaro — ex-controlador do Banco Master, investigado por fraudes no sistema financeiro — coloca sob escrutínio os limites entre uma relação comercial legítima e situações que podem comprometer a imparcialidade praticada por um juiz.

Em nota à Folhao gabinete do ministro disse que “as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”. “O Ministro Alexandre de Moraes jamais deixará em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, afirmou.

O escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que “contrata diversos serviços de táxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está a empresa Prime Aviation. Em nenhum dos voos em aeronaves da Prime Aviation em que viajaram membros do escritório, no entanto, estiveram presentes Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel”.

Afirma ainda que “a contratação desses serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos”. E diz que nenhum dos advogados do escritório conhece a Zettel.

No caso que envolve o ministro Toffoli, os registros apurados pela Folha apontam que um voo em aeronave da Prime Aviation teria levado o ministro até Marília (SP). O aeroporto da cidade é o mais próximo do resort Tayayá, no Paraná, para onde o ministro teria ido. O destino é reforçado por documentos que apontam a mudança de segurança do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo para a cidade de Ribeirão Claro (PR), onde fica o resort.

Em janeiro, um Gazeta do Povo Mostrou que a utilização de seguranças para viagens de Toffoli ao resort custou aproximadamente R$ 450 mil aos cofres públicos. O valor foi gasto com o pagamento de diárias a seguranças que fizeram sua escolha desde, pelo menos, dezembro de 2022. As viagens de Toffoli diminuíram em 2025, após a deflagração de duas operações da Polícia Federal: o Carbono Oculto e o Compliance Zero.

A reportagem investigou os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, por meio da assessoria do STF, e o escritório de advocacia Barci de Moraes para se manifestarem sobre a análise dos advogados sobre o caso. Não houve retorno até o fechamento da matéria.

VEJA TAMBÉM:

  • Moraes voou em jatos ligados a Vorcaro contratado por escritório de família, diz jornal
  • Depois de Moraes, Toffoli também passou em voos de empresas ligadas a Vorcaro

Fatos devem motivar investigação sobre Toffoli, Moraes e escritório da esposa

Apesar das notas apresentadas por Moraes e pelo escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, os analistas apontam que ainda há necessidade de esclarecimentos. Para eles, os elementos já divulgados são suficientes, ao menos, para justificar a abertura de uma apuração preliminar. O mesmo vale para os voos relacionados ao ministro Toffoli.

O foco inicial, de acordo com os advogados, deve ser o esclarecimento dos fatos e a verificação da regularidade das situações relativas aos voos da Prime Aviation utilizados pelos ministros.

O advogado Leonardo Correa por sua vez, destaca que o foco da análise não está necessariamente nos voos em si. “É o contexto. E, nesse cenário, há espaço para purificação, sobretudo para preservar a confiança institucional.”

Na avaliação do advogado Vitor Barretta, professor de Direito Administrativo, os elementos divulgados podem incluir uma apuração sob a ótica institucional. Segundo ele, em democracias constitucionais, a exigência sobre integrantes de cortes superiores vai além da legalidade estrita e envolve a preservação da confiança pública na imparcialidade. “Relatos consistentes, ainda que oriundos do jornalismo investigativo, quando amparados por elementos documentais, são suficientes, em tese, para ensejar uma verificação preliminar”, afirma.

Barretta ressalta, no entanto, que a abertura de investigação não implica presunção de irregularidade. Para ele, trata-se de um mecanismo de proteção institucional. “Apura-se justamente para esclarecer, confirmar ou afastar as suspeitas. Em casos dessa natureza, a transparência não é apenas desejada — é essencial para resguardar a legitimidade da função jurisdicional”, diz.

No mesmo sentido, o advogado criminalista e professor de direito penal Marcus Gusmão afirma que as acusações são elementos superficiais que trazem uma possibilidade não uma conclusão, ou que exigem uma investigação mais aprofundada para que se esclareça o que de fato ocorreu sobre determinado fato. “É preciso lembrar que, independentemente de quem seja, as garantias constitucionais precisam ser respeitadas inegociavelmente. Logo, é possível que os acusados ​​gerem uma investigação, até mesmo para que tudo fique devidamente esclarecido”, acrescenta Gusmão.

VEJA TAMBÉM:

  • Toffoli apresentou presença em resort de luxo após início de operações da PF em 2025

Advogados divergem sobre possíveis conflitos de interesse

Os pretendentes de que Moraes tenham voado em aeronaves ligadas a Vorcaro, recorrendo a compensação de honorários como meio de pagamento, levantando questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.

Tendo em vista que, em termos gerais, o conceito de conflito de interesses se caracteriza quando interesses pessoais interferem na atuação imparcial de um agente público, comprometendo a integridade da função exercida e o interesse coletivo, o mesmo questionamento é levantado quanto ao voo de Toffoli na comissão da empresa ligada a Vorcaro.

A advogada Vera Chemim sustenta que o caso pode configurar conflito de interesses, ao envolver uma possível interseção entre interesses privados e a atuação de ministros do STF. Na leitura da advogada, ainda que não haja comprovação de benefício direto, o simples fato de existir uma relação indireta com agente econômico econômico interessado em decisões judiciais já seria suficiente para comprometer a imparcialidade ordinária da carga.

No caso de Toffoli, a Chemim destacou que os demais pretendentes que já ligaram o ministro a Vorcaro (caso da compra do resort Tayayá e das decisões controversas enquanto relator do caso Master, por exemplo), somados ao uso da comunicação, são significativos para um reforço de decisões de autoria e materialidade de atos ilícitos de toda a ordem. “Trata-se de afronta grave ao princípio da moralidade, da legalidade e imparcialidade previsto no artigo 37 da Constituição”, explica a advogada.

Por outro lado, o advogado Vitor Barretta aponta, que os elementos noticiados sobre os voos de Moraes e do escritório de advocacia da esposa podem suscitar, em tese, uma aparência de conflito de interesses, sobretudo diante de eventual vínculo indireto entre o uso de aeronaves privadas e agentes com interesses no ambiente econômico ou jurídico.

Ainda assim, ele pondera que a configuração formal desse tipo de irregularidade exige requisitos mais objetivos. “A mera existência de deslocamentos em aeronaves associadas a um determinado empresário, por si só, não é suficiente para uma conclusão automática”, afirma.

Além disso, a Chemim afirma que não se pode descartar, em tese, a possibilidade de beneficiamento com recursos de origem ilícita, caso se comprove que os serviços utilizados tenham sido pagos com valores provenientes de irregularidades e que houvesse ciência disso por parte dos envolvidos. Para ela, uma eventual caracterização desse cenário poderia, em limite, configurar ilícitos mais graves, como corrupção, o que reforçaria a necessidade de apuração detalhada dos fatos.

Neste ponto, Di Lascio reforça que para que haja benefício ilícito, seria necessário comprovar que o valor dos honorários do escritório da esposa de Moraes seja exclusivamente oriundo de crime praticado pelo banco, com ciência da receptora. “Ninguém que recebe valores em um contrato lícito investiga a origem do valor. Deve declarar ao fisco que recebeu”, observa o advogado. Para ele, o caso que envolve o uso de aeronaves ligadas a Vorcaro é um novo elemento que deveria fazer parte de uma investigação própria sobre o contrato de advocatício de R$ 129 milhões firmado entre o escritório Barci de Moraes e o Banco Master.

Barretta adota uma posição mais restritiva sobre o mesmo ponto. Segundo ele, esse tipo de enquadramento exige prova inequívoca da origem ilícita dos valores, além da demonstração de conhecimento por parte dos beneficiários e eventual contrapartida funcional. “Com base apenas nas promessas divulgadas publicamente, não há elementos suficientes para sustentar tal imputação com segurança jurídica”, conclui.

A constitucionalista Vera Chemin também avalia que a situação pode ensejar o impedimento de Alexandre de Moraes em processos relacionados ao empresário ou às empresas a ele vinculadas. Ela cita dispositivos do Código de Processo Civil e do Código de Processo Penal que tratam da atuação de intermediários como advogados ou da existência de interesse no processo, argumentando que tais hipóteses poderiam ser aplicadas ao caso, a depender do aprofundamento das investigações.

O advogado criminalista Bruno Gimenes Di Lascio reforça o entendimento sobre Moraes. “Moraes está impedido de julgar processos do Mestre; se um dia o fez, o ato é nulo”, avalia.

Ao tratar do possível impedimento de Toffoli, Di Lascio aponta ressalvas quanto à clareza dos critérios jurídicos. Ao comparar os casos ele avalia que “a proximidade que leva à suspeita ou ao impedimento é nebulosa”, o que, segundo ele, dificulta contribuições categóricas. “Por incrível que pareça, o caso de Toffoli é mais ameno que o de Moraes.

No caso de Moraes, a esposa tem um contrato com Vorcaro para representá-lo no tribunal onde Moraes trabalha. No caso de Toffoli, há uma confusão de negócios entre sua família e fundos ligados a Vorcaro. Embora eu entenda pelo impedimento óbvio, a proximidade que leva à suspeita ou ao impedimento é nebulosa”, explica o advogado.

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Tags: Alexandre de MoraesBanco Mestrecontradias toffoliinvestigaçãojatinhosjustificamMoraesSTFToffoliuso
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