
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a ampliação do debate sobre o uso da energia nuclear para fins de defesa no Brasil e sugeriu a possibilidade de mudanças na Constituição Federal de 1988 para permitir essa discussão.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (11) durante audiência da Comissão de Minas e Energia na Câmara dos Deputados. Ao comentar o potencial nuclear brasileiro, o ministro afirmou compreender o contexto em que a Constituição limita o uso da tecnologia ao campo pacífico, mas disse considerar necessário revisitar o tema diante do cenário internacional atual.
“Eu até compreendo o Constituinte de 88, naquele momento, que já não é o mesmo momento de outro, entendi que o Brasil deveria utilizar o seu potencial nuclear apenas para a geração de energia. Eu divirjo hoje, no mundo em que vivemos, esse ponto de vista”, afirmou.
Segundo o ministro, o país deveria avançar no aproveitamento energético da tecnologia nuclear, mas também discute seu papel na estratégia de defesa nacional.
“[O Brasil] tem que ter a coragem de redescutir, democraticamente, dentro das quatro linhas, junto com as Forças Armadas, o fortalecimento de nossa defesa nacional, porque um país que tem as riquezas que o Brasil tem não pode ficar sujeito e colocar em risco a sua soberania. Portanto, nós temos que ter a coragem de discutir como vamos defender a nuclear”, disse.
A declaração surge em meio à escalada de tensão no Oriente Médio com participação do Irã, país que mantém um programa nuclear cercado por suspeitas internacionais de possível aplicação militar.
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Declaração retoma debate já levantada pelo ministro
Não é a primeira vez que Silveira levanta o tema. Em 2025, o ministro já defendia a abertura de um debate sobre o uso da tecnologia nuclear para fins militares, argumentando que o Brasil deveria discutir formas de garantir sua soberania diante das transformações no cenário geopolítico internacional.
À época, um discurso gerou ocorrência no governo e no meio diplomático, já que a Constituição brasileira determinou que a atividade nuclear no país deve ter apenas fins pacíficos.
Após a repercussão negativa, o próprio ministro recuperou parcialmente e afirmou que não defendia a produção de armas nucleares pelo Brasil, mas apenas a ampliação do debate sobre o papel da tecnologia nuclear na defesa nacional.
A Constituição estabelece que toda atividade nuclear em território brasileiro deve ser destinada exclusivamente a fins pacíficos, princípio que orienta também compromissos internacionais reforçados pelo país na área de não prevenção nuclear.












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