
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), anunciou nesta sexta-feira (27) que vai solicitar a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Previdência e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi.
A iniciativa ocorre após reportagem do portal Metrópoles informar que Lupi foi citado em “delações premiadas de ex-dirigentes do INSS”.
“Vamos trabalhar pela quebra dos sigilos. Vamos pedir a quebra dos sigilos de Lupi”, afirmou o relator.
No requisito protocolado na CPMI, Alfredo Gaspar pede:
- Elaboração de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) pelo Coaf;
- A transferência dos sigilos bancários e fiscais de Carlos Lupi;
- O acesso aos dados referentes ao período de 1º de janeiro de 2023 a 27 de fevereiro de 2026.
O pedido inclui informações sobre contas correntes, poupança, investimentos, bens e valores transferidos em instituições financeiras, além de um amplo conjunto de dados fiscais, como declarações de Imposto de Renda, movimentações financeiras, operações imobiliárias e registros de créditos e débitos tributários.
Na justificativa, o relator afirma que há “indícios relevantes e convergentes” de possível atuação direta ou indireta do ex-ministro no esquema de descontos ilegais aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Segundo o documento, é necessária uma medida para rastrear eventuais movimentações atípicas, identificar beneficiários ocultos e verificar compatibilidade patrimonial.
UM Gazeta do PovoLupi afirmou que as acusações são infundadas. Ele reitera que sua gestão foi pautada pelo combate aos juros abusivos dos bancos e que as denúncias de fraude no INSS são tentativas de retaliação do sistema financeiro.
Lupi ainda nega que tenha sido realizada qualquer delação, diante do pedido de internação do investigado, que foi noticiado pelo Metrópoles. Sobre a possibilidade de quebra de sigilo, ele disse que o plenário da CPMI que decidirá.
Depoimento de Lupi entra na mira da CPMI
O requerimento menciona o depoimento prestado por Lupi à comissão em setembro de 2025. Na ocasião, o ex-ministro afirmou ter tomado conhecimento dos descontos irregulares em março de 2023 e disse que o tema passou a ser apurado pelo INSS e pela Polícia Federal.
O relator também cita episódios ocorridos auxiliares indicados durante a gestão de Lupi, além de inconsistências relacionadas ao programa Meu INSS Vale+, que teriam sido suspensas após questionamentos sobre irregularidades.
Outro ponto destacado é a informação de que o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, teria recebido valores monetários que, segundo a apuração mencionada no requerimento, ultrapassariam R$ 5 milhões no período investigado. A citação de Lupi nas delações, segundo integrantes da comissão de ouvidos pela imprensa, é tratada como “uma bomba” no cenário político.
Base governamental reage e acusa de oposição na comissão
A transação ocorre um dia após a CPMI aprovar, em sessão tumultuada, a quebra do sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Integrantes do Palácio do Planalto acusaram o presidente da comissão, Carlos Viana, de ter vencido a votação de forma irregular, ao não contabilizar corretamente os votos da base governamental.
Com a nova exigência, a comissão amplia o foco das investigações e eleva a pressão política sobre o governo. O pedido ainda precisa ser analisado pelos membros da CPMI.












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