O novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), o goiano Olavo Noleto (52) tem como seu principal ativo uma relação íntima e de fidelidade histórica com governos petistas.
Como parte de sua biografia, que inclui diversas cargas em administrações federais do PT, seu nome apareceu em dois esquemas de corrupção que eclodiram durante o governo Dilma Roussef.
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A reportagem tentou contato com o novo ministro por meio da Secretaria de Comunicação da Presidência da República e aguarda resposta. O espaço segue aberto.
Operação Miqueias
Noleto foi mencionado nas notícias da Operação Miqueias, em setembro de 2013. O esquema envolveu o desvio de mais de R$ 50 milhões de fundos de pensão de municípios e estados — num total de mais de R$ 300 milhões de origem ilícita — com 27 mandados de prisão e envolvidos deputados, o que levou as investigações ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A partir daí, as absolvições sumárias resultaram na impunidade da maior parte dos acusados, que jamais responderiam pelos crimes. Apesar disso, as escutas dessa investigação levaram a descobertas maiores, que acabaram, posteriormente, desembocando na Operação Lava Jato.
Nos anos de 2010, quando era subchefe do mesmo SRI do qual agora se tornou ministro, Noleto indicou Idaílson Vilas Boas, apontado pelas investigações da Polícia Federal (PF) como lobista do esquema. Vilas Boas foi rapidamente exonerado da carga no dia 20 de setembro daquele ano, mas um pedido de prisão acabou sendo negado pela Justiça.
A então ministra do SRI, Ideli Salvatti, eximiu-se de responsabilidade e disse à presidente Dilma Rousseff que a indicação era de Noleto. A coluna de Vera Magalhães, então colunista da Folha de S.Paulonoticiou que foi realizada na época uma “devassa” para apurar a conduta do atual ministro; porém, como Noleto encontrou no cargo até 2015, isso indica que as descobertas não motivaram maiores investigações.
Ele também foi incluído na Operação Monte Carlo, em 2012, que investigou a rede de influência do contraventor Carlinhos Cachoeira. O esquema de corrupção tampouco investigado em condenações.
Trajetória pessoal
Vindo de uma família de jornalistas, Noleto teve o pai preso pela ditadura militar. Sua mãe é tão protetora que o acompanhou em uma campanha para a presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) nos anos 2000, em Brasília, conforme uma reportagem da Folha de S.Paulo na época. Ele acabaria ocupando os cargos de vice-presidente e tesoureiro da entidade.
Formado como administrador público, teve uma trajetória marcada por cargos em governos federais e municipais do PT, especialmente nas áreas de relações institucionais, comunicação e desenvolvimento. Foi também chefe de gabinete do ex-prefeito de Goiânia, Pedro Wilson (PT), entre 2001 e 2003, e secretário de Projetos da prefeitura da capital goiana. Além disso, foi presidente do PT em Goiânia e membro da direção nacional do partido.











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