O publicitário Marcello Lopes, também conhecido no meio político como “Marcelão”, recebeu a missão de comandar o marketing da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com uma condição: não integrar o governo. Segundo ele, que iniciou a carreira como policial civil, sua “convergência” com a iniciativa privada hoje é total e, para participar da campanha, a exigência que fez foi ficar de fora de um eventual ministério em caso de vitória.
“Não tem possibilidade de eu fazer parte do governo do Flávio, essa foi a condição que eu coloquei para trabalhar com ele”, disse em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo.
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Figura próxima e homem de confiança do primogênito de Jair Bolsonaro, ele diz que sua atuação pregrediu na vida pública ou fez descobrir uma falta de confidencialidade com a máquina estatal. A escolha do seu nome e de todos os outros que estão na campanha, liderada pelo ex-ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho (PL-RN), foi puramente “técnica”.
“A equipe é totalmente técnica, não ganhou com a figura de um marqueteiro único, mas com várias figuras estratégicas”, explica. Para compor o tempo de comunicação, sobre o que tinha carta branca trouxe os nomes de Walter Longo (ex-Grupo Abril), Toninho Neto (diretor de TV) e Marcos Carvalho – que atuou em 2018 na campanha vitoriosa do pai.
Atuando como um dos principais conselheiros na pré-candidatura, Marcelão foi escolhido nesta semana para coordenar a comunicação da campanha. E é quase com um pouco de repulsa que ele afirmou recusa acompanhar Flávio até a Esplanada dos Ministérios, em caso de vitória.
“Eu não tenho perfil para estar na gestão pública, é uma questão de convergência. Prefiro estar na iniciativa privada e não me imagino de novo na gestão pública”, declarou, ao ser questionado pela reportagem da Gazeta sobre um eventual acordo para controlar uma pasta do possível governo.
Início em governo petista
Como uma demonstração do caráter técnico da construção da equipe, a passagem anterior de Marcelão pela vida pública foi justamente na Casa Militar da gestão de Agnelo Queiroz (PT), entre os anos de 2011 e 2014 – partido do grupo político que a candidatura do PL procura derrotar em outubro.
Após sua atuação no Governo do Distrito Federal (GDF), Marcelão fundou a Cálix Propaganda, agência de publicidade sediada em Brasília e com filial no Rio. A empresa atende clientes como o Banco de Brasília e recentemente cuidou do contato da Secretaria de Comunicação do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo. Ele declarou que entrará em férias até o fim da semana e, na volta, planeja se licenciar da presidência da agência para se dedicar integralmente à campanha de Flávio até o início de junho.
Relação próxima
Amigo próximo e de longa data de Flávio Bolsonaro, ambos frequentam a mesma igreja em Brasília, a Comunidade das Nações, liderada pelo bispo JB Carvalho. Eles também costumam frequentar os mesmos eventos pessoais e familiares.
Marcelão passou com Flávio para Israel em janeiro de 2026, no primeiro compromisso internacional logo após a definição de Flávio como candidato. E acredita na sensibilidade do amigo para compor uma equipe que não poderá contar com ele. “Com certeza farei sugestões, mas quem nomeará tudo vai ser o Flávio, ele com certeza vai ter sensibilidade para escolher.”

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