O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reclamou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não fala com ele há um mês e que está fugindo de contato “que nem diabo foge da cruz”. A insatisfação ocorre principalmente pela pressão do encerramento do prazo para a conclusão dos trabalhos do colegiado, prevista para o final do mês de março.
Viana invejou um ofício a Alcolumbre, na última segunda (23), solicitando a prorrogação da CPMI por mais 60 dias, e que o pedido conta com amparo da Constituição.
“Há uma manobra administrativa interna para que ele não avance. Nós temos o direito de que ela permaneça. Esperava mais cooperação”, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo nesta quinta (26).
VEJA TAMBÉM:
-

Como a oposição articula investigações contra o Banco Master e o STF?
Pelo prazo regimental atual, Viana terá de apresentar o relatório final da CPMI no dia 23 de março, com encerramento no dia 28. No entanto, dado ao andamento dos trabalhos e aos recentes requisitos aprovados, a comissão precisará de mais tempo para concluir as investigações – as obrigações da fraude bilionária contra os aposentados e pensionistas com o Banco Master fará esse cenário ainda mais complicado.
“Diante disso, solicito a adoção das providências cabíveis para o regular encaminhamento da solicitação, com vistas à formalização do ato de prorrogação do prazo de funcionamento da CPI pelo período exigido”, escreveu Viana no requerimento.
O senador ameaçou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso Alcolumbre não se pronunciasse sobre o pedido de prorrogação.
Avanço da CPMI
No mesmo dia, um pouco mais cedo, a CPMI promoveu a quebra de sigilo do empresário Fabio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sob forte confusão entre os parlamentares. Os governantes tentaram retirar o requisito da votação, mas não conseguiram.
Segundo o relatório, um dos pontos considerados mais relevantes é a interceptação de mensagens transferidas para Antônio Camilo Antunes – o “careca do INSS” –, nas quais ele menciona o repasse de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”. Para a Polícia Federal, a expressão seria uma referência a Fábio Luís. O diálogo é tratado pelos investigadores como confiança de vínculo financeiro entre os envolvidos.
Outro elemento citado são registros de viagem que mostram que Lulinha e Antunes estiveram juntos em Lisboa, em novembro de 2024. De acordo com os documentos anexados, ambos tiveram embarcado na mesma ocasião em assentos de primeira classe, com passagens essas valores variações entre R$ 14 mil e R$ 25 mil.
O requisito também menciona suspeitas de que Fábio Luís teria atuado como “sócio oculto” em empreendimentos ligados ao mercado de cannabis medicinal. Conforme a investigação, essas empresas foram financiadas com recursos que, em tese, tiveram origem em desvios da Previdência Social.
A defesa de Lulinha afirmou que recebeu a notícia sobre a quebra de sigilo de Fábio Luís pela CPMI e, comprovadamente, no inquérito do STF, mas que está tranquilo quanto ao resultado, sustentando que o filho de Lula não participou de fraudes no INSS nem cometeu crimes.
A nota, assinada pelo advogado Guilherme Suguimori Santos, diz ainda que, desde o início, Lulinha se colocou à disposição do STF para prestar esclarecimentos e entregar documentos.












Deixe o Seu Comentário