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Parlamentares pressionam para investigar Master em CPMI e CPI

Redação Por Redação
20 de janeiro de 2026
Em Notícias
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Parlamentares pressionam para investigar Master em CPMI e CPI
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



Parlamentares estão articulando investigações paralelas sobre o escândalo do Banco Master na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no INSS e na Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado. As manobras ocorrem diante da resistência da cúpula do Congresso em criar uma CPI específica para investigar o caso e dos impecilhos impostos pelo ministro do STF, Dias Toffoli, que vêm dificultando o acesso dos congressistas a provas já obtidas pela Polícia Federal.

Membros da CPMI do INSS pretendem convocar diretores do Banco Master e ouvir os parentes de seu controlador, Daniel Vorcaro, como forma de contornar as restrições impostas por Toffoli ao acesso às quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico do banqueiro.

No início de dezembro, Toffoli determinou que os documentos obtidos com as quebras de sigilo permanecessem sob a guarda da presidência do Senado até uma decisão definitiva do STF, o que esvaziou, na prática, uma das principais frentes de investigação do colegiado. Apesar disso, o ministro manteve válidas as decisões da CPMI e da Justiça que autorizaram as medidas de quebra de sigilo contra Vorcaro.

A conexão entre o caso do Banco Master e a CPMI do INSS decorre do envolvimento da instituição nos escândalos dos empréstimos consignados de aposentados e pensionistas. Segundo as investigações, o banco firmou 338,6 mil contratos de crédito consignados com beneficiários do INSS entre outubro de 2021 e setembro de 2025. Desse total, cerca de 252 mil contratos (74,3%) não foram apresentados pela instituição financeira.

Mas analistas estimam que as operações da Master envolvam também outros tipos de crimes financeiros, que somam bilhões de reais em prejuízos e podem ter envolvimento de autoridades públicas – inclusive do Judiciário. Só na última operação de campo para investigar o caso a PF cumpriu mandatos de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro, familiares e aliados, e R$ 5,7 bilhões em bens e valores foram bloqueados.

Requisitos ainda não apreciados da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) pedem a convocação de um superintendente, dois diretores e um sócio do Banco Master para prestar depoimento na CPMI do INSS. Nos pedidos, o senador argumentou que os convocados ocupavam cargas de alta relevância na estrutura do banco, ou que os colocariam no centro das decisões estratégicas e dos processos de governança e controle interno da instituição.

Outro requisito, já aprovado, pode levar o próprio Vorcaro para prestar depoimento. Mas não há certeza de que o banqueiro será obrigado a comparecer ao colegiado, uma vez que outros depoentes já conseguiram se ausentar de oitivas após decisões de ministro do Supremo.

A expectativa dos parlamentares é de que a retomada dos trabalhos em fevereiro permita acelerar as convocações e ampliar o escopo da investigação sobre o Banco Master.

UM Gazeta do Povoa defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”.

Oposição pede a Mendonça liberação de tentativas contra Vorcaro

Membros da oposição na CPMI do INSS fizeram um pedido ao ministro do STF André Mendonça para liberar o acesso dos parlamentares aos dados sigilosos de Vorcaro. Entre os autores estão o relator Alfredo Gaspar (União-AL), os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Eduardo Girão (Novo-CE), e os deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Luiz Lima (Novo-RJ). Eles disseram que mais de 30 dias se passaram da decisão provisória de Toffoli de reter os dados e o STF deve adotar uma resolução definitiva.

Além da devolução dos documentos relacionados à quebra de sigilo de Vorcaro, os deputados e senadores solicitaram o compartilhamento de evidências e provas relacionadas ao Banco Master, colhidas pela Polícia Federal durante recentes operações. “Não há investigação séria possível quando provas legalmente produzidas por uma CPMI são retiradas do seu alcance e ficam indefinidamente bloqueadas. A decisão do Ministro Toffoli representa mais uma interferência indevida do STF no exercício das prerrogativas do Poder Legislativo, esvaziando o papel constitucional do Congresso”, disse Marcel van Hattem (Novo-RS), líder do Novo na Câmara.

Embora Toffoli esteja conduzindo o caso Master no STF, o pedido dos oposicionistas foi endereçado ao ministro André Mendonça, que é relator da ação que concentra, no âmbito do STF, uma investigação sobre o esquema de empréstimos consignados fraudulentos no INSS, que envolve o Banco Master e Daniel Vorcaro.

Assim, os parlamentares argumentam que ele tem competência decisória para deliberar sobre o pedido de devolução das provas. Mendonça foi apontado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e a oposição espera que ele não crie barreiras para o processo investigativo.

CPI do Crime Organizado pode abrir frente de investigação sobre crimes econômicos

A CPI do Crime Organizado, que já está em andamento no Senado, representa uma outra possibilidade de realização de uma investigação parlamentar sobre o Banco Master e o possível envolvimento de autoridades públicas em crimes.

O relator, senador Alessandro Vieira, defende a ideia de que uma comissão passe a ser dividida em tópicos como a atuação do crime organizado no segmento econômico e a lavagem de dinheiro por bancos de advogados e por meio de patrimônio sem último, segunda purificação do Notícias do SBT. Isso criaria uma justificativa forte para a inclusão do Banco Master no escopo das investigações.

Outro argumento é que as investigações da Polícia Federal já impediram o cometimento de crime de organização criminosa nas operações do Banco Master.

Parlamentares coletaram assinaturas para abertura da CPI específica sobre o Master

Deputados e senadores vêm se mobilizando para tentar criar comissões específicas para investigar o escândalo Master. Uma proposta do senador Eduardo Girão (Novo-CE) conseguiu nesta semana 42 assinaturas, 15 a mais que o suficiente para instalar o colegiado no Senado.

Uma outra proposta, dessa vez para abrir uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), já havia coletado as assinaturas permitidas e está na mesa do presidente Davi Alcolumbre (União-AP).

O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) havia afirmado no dia 12 ter reunido 171 assinaturas permitidas para protocolar o pedido de criação de uma CPI na Câmara. Um outro pedido da CPMI, coordenado pelas governistas Heloísa Helena (PSOL-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), está em fase de coleta de assinaturas.

A instalação de qualquer uma dessas comissões dependeria de uma série de ritos e da anuência da cúpula do Congresso. O possível esvaziamento da instituição na razão das eleições de outubro pode importar ao longo do funcionamento de uma nova comissão.

Novos pedidos de convocação deverão ser apresentados na CPMI do INSS

UM Gazeta do Povoparlamentares integrantes da CPMI do INSS confirmaram que deverão protocolar novos requisitos para aprofundar as investigações do Master após a retomada dos trabalhos. O foco está na convocação dos mais dirigentes do banco e das pessoas próximas ao controlador da instituição, como forma de avanço na apuração mesmo diante das restrições impostas pelo STF às quebras de sigilo de Daniel Vorcaro.

O relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), defendeu que o colegiado convocado outros envolveu-se no escândalo.

“Apresentei requisitos de convocação de presidentes de bancos, com fundamento nas reclamações de consumidores em relação aos consignados, dentre esses, foi aprovado o do Vorcaro. Vamos repetir a metodologia de ouvir o presidente, e caso necessário, ampliar esse leque de convocados”, disse o relator. Ele acrescentou que o presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), deve definir um calendário para novas oitivas na volta do recesso parlamentar – marcado para 2 de fevereiro.

O deputado Zé Medeiros (PL-MT) agitou a linha do relator ao defensor de novas convocações. “Se os diretores ou qualquer outra pessoa, inclusive os pais do controlador, tenham participação objetiva, formal ou operacional nos fatos apurados, é dever da CPMI ouvi-los”, afirmou o deputado.

Segundo o parlamentar, a decisão do ministro Dias Toffoli não inviabiliza o trabalho do colegiado: “A decisão do ministro Toffoli de barrar a quebra de sigilo do senhor Vorcaro não impede uma CPI de continuar investigando por outros meios. A CPI não poderá quebrar o sigilo, mas poderá fazer convocações, oitivas técnicas e cruzamentos de informações, que são sobretudo possíveis. Queremos esclarecimentos e apurar responsabilidades, sem prejulgamentos, mas também sem blindagens”.

Irregularidades do Mestre foram apontadas no início da CPMI

A participação do Banco Master no escândalo do INSS foi apresentada à CPMI pelo advogado Eli Cohen, um dos primeiros denunciantes das fraudes. Durante seu depoimento ao colegiado, em 1° de setembro do ano passado, Cohen contou que um ex-diretor do Banco Master era o responsável por articular, junto a Antônio Carlos Camilo Antunes (o “Careca do INSS”), a coleta de dados de aposentados para a efetivação dos empréstimos.

Na estrutura criminosa, o diretor, que ficou conhecido como o “Papa dos Consignados”, foi apontado como responsável pela falsificação de contratos, reaproveitamento de documentos sem autorização e depósitos inferiores aos contratados. A captação dos dados ocorria através de empresas de telemarketing de Antunes, que atuavam em nome de associações investigadas no esquema.

O objetivo dessas empresas era agir desde o cadastro de aposentados e pensionistas até o controle das reclamações e denúncias, criando uma espécie de Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) que permitia a administração e contenção das reclamações feitas pelas vítimas.

Além do Master, o diretor teria realizado a mesma operação no banco BMG, do qual foi vice-presidente. Ainda segundo Cohen, o esquema teria começado em 2005. Assim como outros 20 investigados, ele teve o pedido de prisão preventiva aprovado pela CPMI, mas aguarda a decisão do ministro André Mendonça.

UM Gazeta do Povoo BMG afirmou que o investigado deixou o banco em 2020 e que “eventos mantidos com outras instituições não têm relação com o banco, tampouco são de conhecimento do BMG”. Por meio de sua assessoria, o PicPay afirmou que não comentou o caso. Até a publicação desta reportagem, o Banco Master não tem inveja do posicionamento.

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