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‘Olhar de forasteira’: de onde vêm as histórias de Ana Paula Maia, escritora da Baixada Fluminense indicada ao prêmio internacional?

Redação Por Redação
25 de fevereiro de 2026
Em Notícias
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‘Olhar de forasteira’: de onde vêm as histórias de Ana Paula Maia, escritora da Baixada Fluminense indicada ao prêmio internacional?
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



‘Olhar de forasteira’: de onde vêm as histórias de Ana Paula Maia, escritora da Baixada Fluminense indicada ao prêmio internacional?
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Uma escritora da Baixada Fluminense foi indicada a um dos mais importantes prêmios literários do mundo, o International Booker Prize, nesta terça-feira (24). A obra de Ana Paula Maia, que deve chegar ao décimo livro ainda este ano, se concentra no que a autora chama de “as bordas do mundo”. Seus personagens são, em geral, trabalhadores que lidam com o que o resto da sociedade prefere ignorar. São lixeiros, coveiros, bombeiros e abatedores de animais. No caso de “Assim na terra como embaixo da terra”, título considerado pela premiação, não é diferente – o livro se passa em uma espécie de prisão. Fala de seus detentos e seus oficiais. Em entrevista ao g1, Ana contou como se tornou escritora, explicou seu interesse por esses temas e revelou o que considera ter sido o grande prêmio de sua carreira. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Veja os vídeos que estão em alta no g1 Forasteira Ana Paula Maia, autora de ‘Assim na terra como embaixo da terra’ Reprodução Ana Paula Maia se define como uma forasteira. “Eu gosto de estar em um lugar estranho”, disse, em entrevista ao g1. “É um sentimento que me deixa à vontade.” É assim na sua vida. Nascida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, mudou-se para Curitiba só para mudar de ares. “Faz frio, é cinza e é um lugar quieto”. Ela gosta da combinação. E é assim na sua escrita. “Eu entro em espaços que não são exatamente os meus, mas que, de alguma forma, eu canalizo eles.” E Maia certamente escreveu muitas vezes em território desconhecido. Ela adentrou, com a palavra, os lixões, os cemitérios, os matadouros e as prisões. “Eu não pertenço a nada, mas eu me sinto parte do todo”, disse Ana. O porquê da sua atração por esses temas, das “bordas do mundo”, como chama, ela não sabe bem. “Eu não tenho uma explicação clara”, confessou. “São coisas que eu tocam.” A sua escrita, explicada, é feita da sua empatia. “Quando eu começo um livro, eu não sei como ele vai terminar. Os personagens me levam, me guiam, estão comigo. Daí a minha relação muito estreita com eles”, disse. E é esse olhar de forasteira que guia nas narrativas. “Assim na terra como embaixo da terra” nasceu como um Western (Faroeste), segundo ela. Não à toa, um dos gêneros que tem a figura do forasteiro como arquétipo marcante. O Belo e o Bélico Outra característica dos Westerns é a violência escancarada, que também é explorada na obra de Maia. Neste livro, ela descreve um jogo sinistro, comandado pelo agente responsável pela colônia penal. Melquíades solta alguns condenados das suas amarras nas noites de lua cheia e ordena que corram. Tudo isso para que possam caçá-los com um rifle, como se fossem animais selvagens. “Os meus livros geralmente vêm de um tempo de observação e de incômodo com algo”, contornou. Foi assim que aconteceu, Ana passou um tempo querendo abordar o sistema carcerário. “Nós vivemos num país bélico. O Brasil é bélico, apesar de não termos uma guerra declarada”, disse. Mas não é só de sensibilidade que se fazem seus livros. Para escrever sobre um tema tão complexo, Maia também fez muita pesquisa. Do teórico “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault, até reportagens, muitas vezes competitivas, sobre casos e experiências reais, as leituras embasaram a narrativa. “Conforme eu fui avançando no processo de pesquisa do sistema carcerário, eu descobri que é impossível você falar do sistema carcerário sem falar de escravidão”, disse. Essa ligação nasceu o título, que lembra a oração do “Pai Nosso”. Na expressão “Assim na terra como embaixo da terra”, Ana Paula ilustra que as violências do presente acontecem sobre a história, sobre os corpos enterrados, aqueles que sofreram mazelas semelhantes. “Assim na terra como embaixo da terra” Reprodução Mais gratificante que um prêmio Há algo, nessa brutalidade extrema, que reverbera com o mundo real. Foi o caso de um presidiário que disse, sobre que a obra de Ana Paula mudou em sua vida. Ela contou, emocionada, que recebeu o relato por meio de uma pessoa que produziu um documentário em uma prisão. “E disse que tinha um preso que estava sempre com um livro embaixo do braço. E aí ele chegou para essa pessoa que estava ali fazendo esse doc e falou: você precisa ler esse livro, porque esse livro mudou minha vida. E era o meu livro.” Ela disse que os prêmios e reconhecimentos “vem depois” e que o processo da escrita, em sua riqueza, diz respeito a essas pessoas. “Eu acredito muito que o escritor, ele tem essa possibilidade de conectar”, disse. É claro que a indicação foi uma boa surpresa, até porque o livro foi publicado no Brasil há nove anos. “A vida do escritor tem disso. A gente publica um livro, às vezes 10 anos depois desse livro, ele é publicado num outro país, num outro continente, e ele começa uma nova trajetória e é descoberto num outro lugar. Então, assim, a ficha vai cair aos poucos.”
Uma escritora da Baixada Fluminense foi indicada a um dos mais importantes prêmios literários do mundo, o International Booker Prize, nesta terça-feira (24). A obra de Ana Paula Maia, que deve chegar ao décimo livro ainda este ano, se concentra no que a autora chama de “as bordas do mundo”. Seus personagens são, em geral, trabalhadores que lidam com o que o resto da sociedade prefere ignorar. São lixeiros, coveiros, bombeiros e abatedores de animais. No caso de “Assim na terra como embaixo da terra”, título considerado pela premiação, não é diferente – o livro se passa em uma espécie de prisão. Fala de seus detentos e seus oficiais. Em entrevista ao g1, Ana contou como se tornou escritora, explicou seu interesse por esses temas e revelou o que considera ter sido o grande prêmio de sua carreira. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Veja os vídeos que estão em alta no g1 Forasteira Ana Paula Maia, autora de ‘Assim na terra como embaixo da terra’ Reprodução Ana Paula Maia se define como uma forasteira. “Eu gosto de estar em um lugar estranho”, disse, em entrevista ao g1. “É um sentimento que me deixa à vontade.” É assim na sua vida. Nascida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, mudou-se para Curitiba só para mudar de ares. “Faz frio, é cinza e é um lugar quieto”. Ela gosta da combinação. E é assim na sua escrita. “Eu entro em espaços que não são exatamente os meus, mas que, de alguma forma, eu canalizo eles.” E Maia certamente escreveu muitas vezes em território desconhecido. Ela adentrou, com a palavra, os lixões, os cemitérios, os matadouros e as prisões. “Eu não pertenço a nada, mas eu me sinto parte do todo”, disse Ana. O porquê da sua atração por esses temas, das “bordas do mundo”, como chama, ela não sabe bem. “Eu não tenho uma explicação clara”, confessou. “São coisas que eu tocam.” A sua escrita, explicada, é feita da sua empatia. “Quando eu começo um livro, eu não sei como ele vai terminar. Os personagens me levam, me guiam, estão comigo. Daí a minha relação muito estreita com eles”, disse. E é esse olhar de forasteira que guia nas narrativas. “Assim na terra como embaixo da terra” nasceu como um Western (Faroeste), segundo ela. Não à toa, um dos gêneros que tem a figura do forasteiro como arquétipo marcante. O Belo e o Bélico Outra característica dos Westerns é a violência escancarada, que também é explorada na obra de Maia. Neste livro, ela descreve um jogo sinistro, comandado pelo agente responsável pela colônia penal. Melquíades solta alguns condenados das suas amarras nas noites de lua cheia e ordena que corram. Tudo isso para que possam caçá-los com um rifle, como se fossem animais selvagens. “Os meus livros geralmente vêm de um tempo de observação e de incômodo com algo”, contornou. Foi assim que aconteceu, Ana passou um tempo querendo abordar o sistema carcerário. “Nós vivemos num país bélico. O Brasil é bélico, apesar de não termos uma guerra declarada”, disse. Mas não é só de sensibilidade que se fazem seus livros. Para escrever sobre um tema tão complexo, Maia também fez muita pesquisa. Do teórico “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault, até reportagens, muitas vezes competitivas, sobre casos e experiências reais, as leituras embasaram a narrativa. “Conforme eu fui avançando no processo de pesquisa do sistema carcerário, eu descobri que é impossível você falar do sistema carcerário sem falar de escravidão”, disse. Essa ligação nasceu o título, que lembra a oração do “Pai Nosso”. Na expressão “Assim na terra como embaixo da terra”, Ana Paula ilustra que as violências do presente acontecem sobre a história, sobre os corpos enterrados, aqueles que sofreram mazelas semelhantes. “Assim na terra como embaixo da terra” Reprodução Mais gratificante que um prêmio Há algo, nessa brutalidade extrema, que reverbera com o mundo real. Foi o caso de um presidiário que disse, sobre que a obra de Ana Paula mudou em sua vida. Ela contou, emocionada, que recebeu o relato por meio de uma pessoa que produziu um documentário em uma prisão. “E disse que tinha um preso que estava sempre com um livro embaixo do braço. E aí ele chegou para essa pessoa que estava ali fazendo esse doc e falou: você precisa ler esse livro, porque esse livro mudou minha vida. E era o meu livro.” Ela disse que os prêmios e reconhecimentos “vem depois” e que o processo da escrita, em sua riqueza, diz respeito a essas pessoas. “Eu acredito muito que o escritor, ele tem essa possibilidade de conectar”, disse. É claro que a indicação foi uma boa surpresa, até porque o livro foi publicado no Brasil há nove anos. “A vida do escritor tem disso. A gente publica um livro, às vezes 10 anos depois desse livro, ele é publicado num outro país, num outro continente, e ele começa uma nova trajetória e é descoberto num outro lugar. Então, assim, a ficha vai cair aos poucos.”[/gpt3]

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