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Master deve desgastar Lula; oposição quer avanço da investigação

Redação Por Redação
22 de janeiro de 2026
Em Notícias
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Master deve desgastar Lula; oposição quer avanço da investigação
Twitter1128254686redacaobcn@gmail.com



O escândalo financeiro do Banco Master promete desgaste político para agentes dos três poderes e de todos os espectros ideológicos. Para parlamentares de oposição e analistas, no entanto, a tendência é que a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa colher o pior resultado.

Isso porque a aliança entre a Corte e o Executivo explica o silêncio de Lula, mas potencializa seu desgaste. Decisões atípicas e conflitos de interesse dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), enfrentaram as ações da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC) e geraram repúdio além da direita. A indignação aumentou com a revelação de possíveis opções de um hotel de luxo no Paraná que já pertence aos parentes de Toffoli com familiares do dono do Mestre, Daniel Vorcaro.

A avaliação de que o escândalo pode destruir o governo parte do fato de o episódio ter se expandido para além do sistema financeiro e se configurar como uma crise institucional profunda, capaz de repercutir nas avaliações de governo. O histórico de corrupção em governos do PT e o avanço da campanha eleitoral deverão jogar a favor disso.

Adriano Cerqueira, professor de Ciências Políticas do Ibmec-BH, lembra que o fim da mobilização do STF para prender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) esvaziou a comunicação política do governo e o caso Master não afetou o ex-presidente. “Pelo contrário: a oposição é quem lidera críticas e cobra investigações”, diz.

Lula tem encontro reservado com autoridades para discutir o caso Master

Na semana passada, Lula reuniu federais — incluindo ministros, o vice-presidente, o diretor da PF, representantes do Ministério Público, da Receita e do STF. Logo após o encontro, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, disse que o caso Master teria sido o “eixo” da reunião.

Dias antes, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski deixou o posto alegando questões familiares, mas também havia o risco de ter seu nome associado ao Mestre, do qual foi conselheiro. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saiu em defesa da atuação do BC diante daquilo que pode ser “a maior fraude bancária da história do Brasil”.

A postura do Palácio do Planalto — marcada por reuniões secretas com autoridades e monitoramento das novas revelações do escândalo — alimentou a ataque da oposição, que busca converter o episódio em símbolo de falta de transparência e de supostas relações espúrias entre Estado e empresas corruptas.

No Congresso, os oposicionistas ampliaram a pressão para dicas implicadas. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) classificou o caso Master como “escárnio” e atacou o sigilo imposto pelo BC às comunicações entre a autarquia e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. “Inaceitável”, disse.

CPMIs podem servir ao propósito da oposição de enfraquecer o governo

A deputada Bia Kicis (PL-DF) faz campanha pelas assinaturas para a abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dedicada ao caso. Junto com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ela também atua para que a CPMI do INSS investigue desde já em alvos de escândalo financeiro.

A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também tem alertado que o sigilo no andamento das investigações “expõe o que eles defendem como democracia”. Ela também defendeu a abertura de uma investigação transparente e profunda nas CPMIs para não deixar “pedra sobre pedra”.

Em paralelo, chamou a atenção a decisão do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), de criar subcomissão suprapartidária de sete membros para acompanhar a apuração das condutas irregulares feitas por outros órgãos.

Marcus Deois, diretor de consultoria política Ética, avalia que a narrativa do caso Master ainda não tem liderança de partido ou espectro ideológico. “Isso mostra que o escândalo tem ramificações em todo o Brasil e amplitude ideológica, desenvolvido por quem entende como ópera a política”, diz.

Para especialistas, a crise do Mestre será longa e interferirá no jogo eleitoral

Juan Carlos Arruda, diretor-geral da ONG Ranking dos Políticos, avalia que, em ano eleitoral, o caso Master deve ser explorado intensamente como instrumento de desgaste de figuras públicas abordadas em denúncias. “Com o avanço de investigações e respostas, o tema vai durar por muito tempo”, diz.

Caso se confirmem vazamentos para a imprensa por parte de servidores da Receita e do BC de fatos comprometedores relacionados a ministros do STF, apurados em inquérito aberto de ofício pelo próprio Alexandre de Moraes, a expectativa é de que a Corte adote punições rigorosas contra os alvos, diante do desgaste sobre ele e Toffoli.

O cientista político Adriano Gianturco entende que o caso Master tende a desgastar mais Lula e a esquerda ao longo do tempo em razão da proximidade do Executivo com o Judiciário. Mas pondera ser preciso analisar as primeiras pesquisas de opinião que tratam do tema para saber o real impacto das revelações sobre a popularidade do presidente.

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